Poema da Morte na Estrada – António Gedeão [Poema da Semana]

Na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
estão quinhentos mortos com os olhos abertos.

A morte, num sopro, colheu-os aos molhos.
Nem tiveram tempo para fechar os olhos.

Eles bem sabiam dos bancos da escola
como os homens dignos sucumbem na guerra.
Lá saber, sabiam.
A mão firme empunhando a espada ou a pistola,
morrendo sem ceder nem um palmo de terra.

Pois é.
Mas veio de lá a bomba, fulgurante como mil sóis,
não lhes deu tempo para serem heróis.

Eles bem sabiam que o último pensamento
devia estar reservado para a pátria amada.
Lá saber, sabiam.
Mas veio de lá a bomba e destruiu tudo num só momento.
Não lhes deu tempo para pensar em nada.

Agora,
na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
são quinhentos mortos com os olhos abertos.

António Gedeão

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António GedeãoImagem relacionada

Rómulo Vasco da Gama Carvalho nasceu em Lisboa a 24 de Novembro de 1906. Foi professor de física e química, escritor, dramaturgo e poeta, sob o pseudónimo de António Gedeão.
Faleceu a 19 de Fevereiro de 1997, deixando para trás um vida de trabalho, poemas e contribuições pedagógicas. A par com o poema Pedra Filosofal, Lágrima de Preta é outro dos que mais se destaca.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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