A Mulher à Janela – A. J. Finn

“Qual será o problema dessa casa? É nela que o amor se instala para morrer.”

“Muitos de nós – os casos mais graves de estresse pós-traumático – não conseguimos sair de casa, precisamos nos esconder da bagunça do mundo, da massa do mundo. Alguns têm pavor de gente, outros, da desordem do trânsito. Para mim, o problema está na vastidão do céu, na desmesura do horizonte, no simples fato de estar exposta à pressão acachapante da vida ao ar livre. “Espaços abertos”, diz vagamente o DSM-5, na pressa de chegar às suas 186 notas de fim de capítulo. Como médica, digo que o paciente precisa estar num ambiente que ele seja capaz de controlar. Essa é a minha avaliação clínica. Como paciente, digo que a agorafobia não veio para destruir minha vida: ela agora é a minha vida.”

(da versão brasileira)

 

Neste livro ficamos a conhecer a história de Anna Fox, uma mulher que após sofrer um terrível acidente de carro com a sua família sofre de stress pós traumático e agorafobia. Anna não sai de cada há dez meses. O marido e a filha já não moram com ela e a casa, enorme, é onde Anna passa então os dias, a vaguear entre partidas de xadrez na internet e muitas, muitas garrafas de merlot.

Um dos passatempos preferidos de Anna é então espiar os vizinhos através das grandes janelas de vidro da sua casa, com a ajuda do zoom da sua máquina fotográfica. É então que chegam novos vizinhos à zona, os Russels, que para Anna parecem à partida a família perfeita: os pais e o filho, tal como a família que ela já teve um dia.

Mas será que essa família é assim tão perfeita? Um dia, Anna ouve um grito vindo da casa deles. Vê uma mulher ser esfaqueada. E chama a policia. Mas irá policia acreditar nela, uma mulher com problemas de álcool, que abusa dos comprimidos e não sai de casa há dez meses? E será que aconteceu mesmo ou Anna imaginou tudo? Será efeito do vinho? Dos comprimidos? Ou um crime quase perfeito?

Este livro não me encantou logo de inicio. Por várias vezes, senti-me como se estivesse a reler A rapariga no comboio, de Paula Hawkings. Uma protagonista com problemas de álcool, com um casamento fracassado, sem filhos perto (uma não tem, a outra teve a filha afastada), que presencia um crime que mais ninguém vê e em quem quase ninguém acredita.

Mais à frente acabei por encarrilhar na leitura, que até se tornou interessante. Houve um momento neste livro em que realmente fiquei de boca aberta, com algo que não esperava de todo. Mas foi apenas um momento. O fim, devo dizer, já eu o tinha adivinhado quase desde o início. Inclusive um outro aspecto, que supostamente também seria uma grande surpresa do livro, é fácil de adivinhar. Não posso entrar em pormenores ou corro o risco de entrar em spoilers.

Mas posso dizer que este livro pretende ser um livro repleto de suspense e várias surpresas. Comigo, apenas resultou em parte, mas é uma boa leitura para quem gosta deste género de literatura.

Um outro aspecto que vale a pena destacar, é a luta da protagonista com a doença e o stress pós traumático. É difícil imaginar que o simples acto de sair à rua possa causar a alguém um pânico tão grande como o que esta personagem sofre. É um bom livro para quem quer compreender melhor esta realidade, quase capaz de levar alguém à loucura. Para dizer a verdade a agorafobia e o trauma que a causou a certa altura do livro tornou-se mais interessante para mim do que o crime da casa ao lado.

Livro recomendado.

Livro na Wook

 

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