O Básico da Linguagem na Construção de uma História [Quero Ser Escritor, e Agora?]

Qualquer boa história, a par com o enredo em si, tem de ter obrigatoriamente uma boa linguagem. Tenho de admitir que enquanto bibliotecária já vi livros em demasia com um português que, como se costuma dizer, “faria Camões dar voltas no túmulo”. É por isso que hoje, em mais um post da série “Quero ser escritor, e agora?” resolvi dar-vos algumas dicas de português.

Muito do que vou dizer vocês provavelmente já sabem. Outros nem por isso. Mas depois de alguns livros já publicados que eu vi por aí no mercado, em editoras de menor qualidade, não acho que este seja um assunto nada inútil.

É claro que regras têm excepções e, quando se conhece a regra, contorná-la por vezes até pode ser útil. Mas ignorá-la repetidamente, acreditem em mim, apenas vai desmerecer o vosso trabalho e a vossa história que, se calhar, até é boa.

 

          Sejam Coerentes!

E isso aplica-se à linguagem e também à história. Por exemplo, o acordo ortográfico: escolham o novo ou o antigo e guiem-se por ele. Escolham aquele que os vossos ideais vos dizem ser o correcto, não se obriguem por qualquer razão a enveredar por um caminho que não é o vosso. Mas depois, tenham cuidado: não usem palavras de um se tiverem optado pelo outro, ou vai deixar os leitores mais atentos de pé atrás. Pode parecer fácil, mas às vezes não é: eu, por exemplo, costumo escrever com o antigo acordo ortográfico, mas de tanto ler o novo sei que às vezes já me baralho.
Na história tenham atenção aos pequenos pormenores. Já vi enredos em que a meio do livro o autor parece que se distraiu e acrescentou ou tirou um filho a uma das personagens. Alguns esquecem-se que já tinham divorciado a personagem principal e outras coisas do género. Há quem não repare mas…

Depois, adaptem o português ao vosso público alvo. Se quiserem escrever um artigo cintifico para um grupo de especialistas de determinada área não podem, em momento algum, escrevê-lo como se o fizessem para o comum dos mortais que não conhecem o assunto da mesma maneira, e vice-versa. Da mesma forma, se forem escrever um romance para o público em geral, não convém usar palavras extremamente complicadas que obriguem o leitor a consultar o dicionário a cada 5 minutos. O mesmo se aplica ao público juvenil ou infantil. Pensem: para quem vão escrever?

 

          A Educação (ou a falta dela)

Infelizmente isto vê-se mais do que se poderia pensar. Nunca leram um livro e ficaram com a sensação de que aquele autor em específico acha que está a escrever para um leitor ignorante? Eu já. E livros de autores conhecidos. E aquele autor que escreve um livro inteiro em letras maiúsculas ou que, quando escreve directamente para o leitor, o faz em letras maiúsculas? Também já vi disto. Mas sabiam que escrever em letras maiúsculas é o equivalente a gritar? Também já vi pelo outro lado: um leitor que, só por não gostar de determinada história, acha que o autor ou os leitores que gostam dessa obra são ignorantes.
Isso é terrível. Um autor e um leitor devem ter, acima de tudo, uma relação de igual para igual. Um precisa de ler as histórias do outro. Um precisa que o outro leia as suas histórias. É uma troca, uma relação de igualdade, não um favor de alguém a alguém. E se alguém não gosta da obra de determinado  autor, por outro lado, basta seguir para outra obra, de que possa gostar mais.
Acima de tudo a educação e o respeito.

 

          Os erros

É claro que é impossível escrever sem erros. Todos nós damos erros. Mas podemos sempre fazer um esforço para melhorar. É isso que diferencia aqueles que chegam mais longe: eles nunca param de tentar, nunca desistem de aprender. Não têm medo das quedas nem das perdas e não acham que já são o melhor que podem ser. Sabem que há sempre espaço para saber mais, para ser melhor, para nos aperfeiçoarmos.

O português não é uma língua fácil, de todo. É importante estudar, mas também ler, ler muito. Um bom leitor, um leitor frequentemente, dificilmente será uma pessoa que dá muitos erros. A leitura é um influenciador muito importante na escrita de cada um.

Em caso de dúvida, o melhor é ir pesquisar. E sempre tentar optar pela descomplicação. Mais vale escrever uma frase de forma mais simples do que tentar embelezá-la e dar erros por causa disso.

 

 

          Use figuras de estilo

A não ser que o pretendido seja mesmo uma escrita directa e factual, as figuras de estilo podem ser uma grande ajuda para tornar o seu texto ainda mais interessante. Podem ver alguns exemplos de figuras de estilo aqui. Mas cuidado para não as usar em exagero, ou pode ficar confuso!

 

 

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