Resumo de Leituras [Janeiro de 2020]

Amigo Imaginário – Stephen Chbosky

250x (1)

Em Amigo Imaginário conhecemos Christopher e a sua mãe, Kate Reese. Em fuga de uma vida cheia de más experiências, acabam por ir dar a Mil Grove, uma pacata e isolada vila. Achando que nunca iriam ser encontrados ali, Kate toma a decisão de ficar. Parecia ser o sitio ideal para dar finalmente uma vida normal ao filho. E a principio tudo corre bem. Mas algo macabro se esconde naquela vila e é então que Christopher desaparece durante seis dias. E volta diferente. Quando peguei em Amigo Imaginário esperava um livro de terror/suspense, talvez um thriller psicológico realmente bom. E ele é um pouco de tudo isso, mas também vai além disso. Para além da história assustadora, do suspense psicológico, do nervosinho normal que este género de livros costuma deixar nos leitores, este livro tem também uma profundidade pouco comum neste género. Um livro longo, que faz lembrar Stephen King, uma leitura muito boa e que toca questões bem mais profundas do que eu esperava. Recomendado!

 

O Rapaz de Auschwitz – Steve Ross

250x

Steve Ross nasceu na Polónia em 1931 com o nome de Szmulek Rozental, numa família judia e com apenas 8 anos viu a sua vida ser virada de pernas para o ar com a chegada dos nazistas. Separado da família Steve passou por vários campos de concentração, suportou a fome extrema, foi violado e por várias vezes esteve à beira da morte. Esta é a sua história. Este é sem dúvida um dos livros mais crus e directos que já li sobre este tema e, para mim, isso tornou-o num dos melhores. É duro sim, e muito difícil de ler. Deparei-me comigo a ter de lembrar-me em várias partes que era uma história real e não apenas uma ficção inventada por alguém bastante sádico. E é exactamente isso que o torna num livro magnífico. Steve trata os seus leitores como adultos e conta-lhes exactamente o que aconteceu. Não usa meias palavras nem escreve nas entrelinhas. Aconteceu, ele ainda sofre com isso todos os dias e não pode jamais voltar a acontecer.

 

Monstros Fabulosos – Alberto Manguel

250x (1)

Em Monstros Fabulosos: Drácula, Alice, Super-Homem e outros amigos literários Alberto Manguel reapresenta-nos mais de 30 personagens literárias que todos conhecemos e que são, segundo parece, as suas preferidas. E fala delas, analisa-as e às suas vidas, explora as relações delas com os leitores. Este livro é uma obra fantástica sobre grandes personagens mas é também uma bonita reflexão sobre a condição humana. Ao falar deles, Alberto Manguel fala de nós. É um livro sobre leituras, literaturas e… a própria vida. Cada leitura é única, como cada personagem, como cada leitor e momento. Uma obra fantástica!

 

Ana Terra – Erico Verissimo

Resultado de imagem para ana terra erico verissimo

Ana Terra é um dos episódios que integram O Continente, a primeira parte da trilogia O Tempo e o Vento de Erico Verissimo, ao qual se seguem O Retrato e O Arquipélago. Ana vive isolada com os pais e dois irmãos. Os homens passam os dias na lida do campo e as mulheres na lida da casa. Não há relógios nem calendários e a passagem do tempo é algo um pouco vago, visto apenas pelo passar das estações. Os dias sucedem-se uns atrás dos outros, uns iguais aos outros, até que um dia Ana, já com 25 anos, encontra um homem ferido quando vai lavar a roupa. Esse homem é Pedro Missioneiro, que acaba por integrar o dia a dia da família de Ana. Dentro da sua solidão, Ana acaba por se envolver com Pedro e engravidar. Mas essa está longe de ser a maior reviravolta da sua vida…
Uma história triste e cinzenta, seca como a terra no Verão, que nos deixa um tremor amargo no peito e uma lágrima no canto do olho em algumas partes. Não sei se terei coragem de iniciar a leitura de O Tempo e o Vento, pela sua extensão, mas considerando que um episódio tão pequeno é tão maravilhoso, imagino que toda a história o seja também. Não sei se terei coragem, mas fiquei com vontade.

 

O Velho que Lia Romances de Amor – Luis Sepúlveda

Resultado de imagem para o velho que lia romances de amor

Em O Velho que Lia Romances de Amor conhecemos a história de Antonio José Bolívar Proaño, um homem que vive em El Idilio, um lugar remoto na região amazónica dos índios shuar. Com os índios aprendeu a conhecer a selva e as suas leis, a respeitar os animais que a povoam, mas também a caçar e descobrir os trilhos mais indecifráveis.
Um certo dia resolve começar a ler, com paixão, os romances de amor que, duas vezes por ano, lhe leva o dentista Rubicundo Loachamín, para ocupar as solitárias noites equatoriais da sua velhice anunciada. Antonio é acima de tudo um homem sábio. Não conhece cidades grandes, não acredita em muitas das coisas que se passam para lá da sua selva, não tem bem a certeza sobre o que são gôndolas. Mas conhece a linguagem da selva, respeita os seus animais, obedece às suas leis. Acho que só compreendi realmente qual era a intenção deste livro quando li o último parágrafo. E foi aí que a obra ganhou todo um novo sentido para mim. Talvez alguém mais atento que eu chegue lá mais depressa. Mas para mim esse choque foi o ponto forte da obra. E tornou-a numa história linda, e triste.

 

Holocausto Brasileiro – Daniela Arbex

transferir (1)

Em Holocausto Brasileiro, um livro-reportagem, Daniela traz-nos a história do Colónia, um hospício brasileiro que se situava na cidade de Barbacena, em Minas Gerais. Apesar de ser considerado um hospício, calcula-se que cerca de 70% das pessoas internadas não sofriam de nenhuma doença mental. O Colónia era, na verdade, um local de despejo onde iam parar as meninas violadas pelos patrões que acabavam por engravidar, os homossexuais, os epilépticos, as mulheres que os maridos não queriam mais, as filhas que perdiam a virgindade e os pais queriam despachar, os alcoólicos, as prostitutas, e muitos outros. Calcula-se que tenham passado por lá cerca de 60 000 pessoas.É um livro impressionante, com muitas fotografias que ilustram muito bem os factos e nos ajudam a acreditar que foi mesmo verdade. Sem elas seria até difícil de imaginar. Terminei o livro a pensar em quantos sítios assim terão existido mais. Não me parece que este fosse o único. A crueldade humana é incrível e este é um daqueles livros que toda a gente devia ler, quer para relembrar o passado, que para evitar que volte a acontecer.

 

O Silêncio do Mar – Vercors

Em O Silêncio do mar conhecemos uma família francesa, tio e sobrinha que, ao ser obrigada a acolher na sua casa um oficial nazi durante a guerra, opta pelo silêncio para lidar com a situação. O soldado, Werner von Ebrennac, por outro lado, aceita esse silêncio e respeita-o, mas tem outros objectivos. O silêncio do Mar é um livro com umas muito curtas 63 páginas, que se lê em menos de nada e deixa um sabor de quero mais na boca. É quase inacreditável que seja só aquilo e que ainda assim seja tão bom. Nunca tinha lido tanta tristeza em tão poucas páginas. Tem um toque de saudosismo e de sonhos, é quase poético e um tanto ou quanto filosófico. Um amor que não chega a ser real, mas que é verdadeiramente incondicional. Uma pequena e apaixonante história!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s