Confissões de uma freira pagã – Kate Horsley

“E que mensagem quereria eu das estrelas, naquela noite em que, pela primeira vez na vida, me encontrei a vaguear sem mãe?Que mensagem quereria eu que o céu me desse numa noite qualquer? Que sou amada? Que estou protegida? Que algo entende os meus esforços, apesar deles falharem? Que o céu é uma cortina atrás da qual nos espera tudo aquilo que desejamos, todos os sonhos que lamentamos e que estão no regaço dos mortos, que esperam e segredam como crianças a brincarem às escondidas?  Que, se tiver fé, serei invadida por um entendimento que é completo e extasiante? Talvez, se deixássemos de olhar para as estrelas e em vez disso olhássemos para este mundo, estariam lá as mensagens de que necessitamos e os deuses poderiam tomar conta de assuntos maiores do que a pequena mágoa de uma só pessoa.”

“E agora penso no abade. Consigo imaginá-lo, ele mesmo, a atirar uma mulher pequena para o fogo sem se importar com o seu sofrimento. Ele não gosta da força do meu olhar quando declara quem irá para o Paraíso e quem irá para o Inferno. O abade saberia que Giannon estava no inferno, enquanto que eu, que não estou inteiramente convertida nem verdadeiramente baptizada, sei que Giannon vive noutra encarnação, talvez como uma mãe, pois ele precisa de cultivar os seus afectos. Mas quando me torno ais sabedora e acredito no Inferno, rezo a Deus para que Ele me ponha lá com Giannon, pois se no céu estão homens como o abade, então isso para mim seria o Inferno.!”

 

SINOPSE

Um envolvente romance histórico baseado na descoberta de um manuscrito do século V que retrata na primeira pessoa a experiência de Gwynneve, uma freira irlandesa colocada entre dois mundos: o legado da antiga sabedoria dos druidas e a crescente expansão do cristianismo.

Não sou uma leitora frequente de romances históricos, não é qualquer um que me conquista. Este descobri-o por acaso nas prateleiras de um alfarrabista e achei piada ao titulo, mas não estava a espera de muito.

Acabou por ser uma leitura bastante interessante. A personagem principal, Gwynneve, é de uma ingenuidade que só visto mas de facto é essa ingenuidade que torna o romance tão interessante.

Gwynneve cresceu e viveu toda a sua vida entre druidas até que um dia, por via das circunstâncias, acaba por ser recolhida por um convento e torna-se freira. A partir daí vemos a personagem cada vez mais dividida entre as suas antigas tradições e os novos conceitos cristãos.

Para quem não tem medo de enveredar por romances um pouco menos conhecidos está mais que recomendado.

 

Livro na Wook

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