Stalking, que afinal não acontece só aos outros

Hoje o tema que vos trago é bem mais sério do que o habitual. Temas sérios nem sempre são fáceis de abordar, mas tem de ser.

Existem vários nomes para falar de algo como o stalking. Perseguição, perseguição persistente, obsessão, assédio persistente… mas todas têm o mesmo peso para as vitimas.

Stalking é o termo inglês que se refere a uma invasão constante de privacidade por parte de um agressor a uma vitima. Os motivos podem ser vários: o agressor pode achar que está apaixonado, pode ser uma obsessão sexual ou derivada de ódio ou inveja, entre muitos outros. Mas nenhum deles justifica o stalking. Nada o justifica.

Esta perseguição é uma forma de violência. O mais comum nos dias de hoje é receber chamadas telefónicas, mensagens,  emails e presentes indesejados, mas em alguns casos a pessoa pode mesmo começar a ser seguida. De repente, do nada, começamos a encontrar o agressor em todos os lugares onde vamos, vemo-lo a espreitar, ouvimos os seus passos atrás dos nossos. Por vezes acontece também o agressor começar a espalhar boatos, a tentar afastar as outras pessoas da vitima, para que esta fique sozinha e mais vulnerável.

Hoje eu trouxe este tema porque foi algo que me tocou pessoalmente. Nós pensamos que estas coisas só acontecem aos outros, mas não é verdade.

Tudo começou quando, certo dia, um rapaz que é também um familiar afastado,  me convidou para sair.Eu disse que não. Ele insistiu, nesse dia e em outros que viriam. Eu dizia que não, ele queria justificações do porquê, dizia que iamos sair e fazer sexo. No dia em que disse isso, para mim, foi a gota de água. Nunca lhe tinha dado confianças para isso então basicamente fartei-me, mandei-o dar uma curva, e bloqueei-o em todos os lugares por onde me podia contactar (redes sociais, telemóvel).

Pensei que tinha parado por aí e não pensei mais no caso.

Pouco tempo depois comecei a receber pedidos de amizade estranhos nas redes sociais. Perfis pessoais que se viam claramente que eram falsos, que adicionavam a minha lista inteira de amigos mas mais ninguém, que começavam a mandar mensagens sem motivo aparente. Eu, que sou uma pessoa extremamente distraída, não associei uma coisa com a outra. Agora, que olho para trás, percebo que até as conversas eram as mesmas que essa pessoas me fazia.

Então, de um momento para o outro, tudo parou. Do nada, sem como nem porquê, para grande alivio da minha parte, acabaram-se todas as tentativas de contacto. E eu, aliviada, segui em frente.

Isto foi há vários anos, mas só recentemente descobri porquê. Acontece que esta pessoa nunca parou as perseguições, apenas foi mudando de vitimas. Depois de mim foi outra rapariga e depois outra e mais outra…até que, mais recentemente, foi uma amiga minha. Foi quando ela falou dele e do que ele lhe fez a ela e a outras que começamos a juntar as peças.

Ele manda mensagens, tem conversas de cariz sexual, faz perfis falsos, rouba fotos, espalha boatos. Certa vez fugiu de casa, fez centenas de km e foi perseguir uma rapariga no Algarve.

Deixo-vos agora um relato de uma outra história.

relato

E, por fim, alguns conselhos:

 

  • Fala! Conversa! Desabafa! Queixa-te!

Este é o conselho mais importante de todos. Se estás a ser vitima de perseguição, não enfrentes isto sozinha. Conta aos teus amigos, ao teu namorado, à tua família, a alguma associação e…à policia!!! É importante que os outros saibam, até pela tua própria segurança, para que estejam de sobreaviso. Achas que vão desconsiderar, que não te vão levar a sério? Talvez, no inicio. Alguns. Mas quem realmente se preocupa contigo e com a tua segurança vai acabar por prestar atenção. Fala-lhes de como pode ser perigoso, não tenhas medo de dizer que tens medo.

 

  • Não lhe respondas

Não respondas às mensagens, não atendas os telefonemas, não lhe respondas quando passares por ele. Ignora-o.

 

  • Planeia a tua segurança!

Bloqueia o agressor nas redes sociais, bloqueia o número dele ou muda de número, não respondas a nada do que te diga, seja pessoalmente ou por mensagens e emails. Não uses sempre o mesmo caminho nos teus percursos diários, não vás sempre aos mesmos sitios, não aceites pedidos de amizade de quem não conheces. Se o agressor realmente te persegue mesmo fisicamente, um outro truque bom é ter as chaves (do carro, de casa) e o telemóvel sempre à mão. os primeiros para fugires facilmente se for preciso, o segundo para pedir ajuda. Arranja uma parte da tua mala onde consigas aceder facilmente e rapidamente e deixa lá apenas essas duas coisas.  Sim, eu sei que tudo isto pode parecer chato de fazer. Mas é pela tua própria segurança.

 

  • Regista!

Pode não ser uma coisa muito agradável de fazer, mas pode ser bastante útil. O agressor envia-te sms, emails, mensagens nas redes sociais? Não apagues, guarda, imprime. Cartas, bilhetes? Não deites fora, guarda. Podes até arranjar um diário, qualquer caderno pequeno ou mesmo folhas soltas onde registes tudo. Onde o viste, a que horas, o que te disse, como te sentiste… Pode ser útil caso precises de provas.

Por último mas não menos importante, deixo aqui um site que me serviu de ajuda para escrever sobre este tema e que, espero, te possa servir de ajuda se precisares:

APAV

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