Recentemente tivemos oportunidade de participar de uma sessão onde se debatia o papel e o poder da poesia. E foi francamente triste. Porque para os poetas ali sentados, a poesia era “menos útil do que uma limpeza a seco”, não servia para nada, não mudava nada na sociedade.
Não somos idealistas. Sabemos que a poesia, por si só, não move montanhas nem ganha guerras. Mas ignorar o papel que a poesia tem é saber pouco de história e de psicologia.
A poesia sempre foi arma de revoluções, usada contra censuras e regimes ditatoriais. Quer a poesia que se fica no papel quer aquela que é passada para música, porque música também é poesia. Leia-se Ary dos Santos, Natália Correia, Miguel Torga, entre outros. Oiçam-se músicas como Tourada, cantada por Fernando Tordo, que representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção 1973 sem que o Estado Novo tenha percebido a mensagem.
A poesia sempre foi usada como voz de minorias. António Botto, Judith Teixeira, Maria Firmina dos Reis, Noémia de Sousa, Carolina Maria de Jesus, Castro Alves e muitos outros, são exemplo disso.
E a poesia sempre foi, para muitos, porto de abrigo. Quem a lê e a conhece sabe.
É triste que existam hoje em dia pessoas que são consideradas poetas mas que não reconhecem o valor e a importância da poesia e a forma como ela pode, efectivamente, ter utilidade. São pessoas que não amam nem compreendem o que fazem e o poder que isso tem.
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