Pedro Páramo – Juan Rulfo

Wook.pt - Pedro Páramo

Livro Físico

“No dia em que partiste percebi que não voltaria a ver-te. Ias tingida de vermelho pelo sol da tarde, pelo crepúsculo ensanguentado do céu. Sorrias. Deixavas para trás uma aldeia da qual muitas vezes me disseste: “Amo-a por tua causa; mas odeio-a por todas as outras coisas, até por ter cá nascido.” Pensei: “Jamais regressará; nunca voltará.”

“E partiu. Eu voltei. Voltaria sempre. O mar molha os meus tornozelos e parte: molha os meus joelhos, as minhas coxas; enlaça a minha cintura com o seu braço suave, envolve os meus seios; abraça o meu pescoço; toma os meus ombros. Então fundo-me nele, inteira. Entrego-me a ele no seu forte bater, no seu suave possuir, sem lhe negar nada.”

JUAN RULFO | Casa del Libro
Juan Rulfo

Juan Nepomuceno Carlos Pérez Rulfo Vizcaíno nasceu a 16 de Maio de 1917 em San Gabriel no México e faleceu a 7 de Janeiro de 1986 na Cidade do México. Publicou apenas duas obras em vida: El llano en llamas em 1953 e Pedro Páramo em 1955. Pedro Páramo é um dos mais reconhecidos clássicos mexicanos.

Nesta história Juan Preciado foi criado pela mãe, sem nunca ter conhecido o seu pai. Então, no leito de morte, ela obriga-o a prometer que irá procurar o seu pai, Pedro Páramo, e fazê-lo dar-lhe o que lhe é devido. E Juan Preciado vai.

Parte então para Comala, uma pequena cidade que se situa numa região deserta, onde vive o seu pai, o grande senhor e dono da terra. Então, Juan começa a perceber algo estranho. Todas as pessoas com quem ele vai falando nessa cidade, todas as pessoas que ele encontra, estão mortas. Comala é uma cidade fantasma! Através deles ele vai conhecendo a história de Pedro Páramo, o seu temível pai, e de todo o mal que ele fez àquelas pessoas.

Em tempos, Pedro Páramo amou uma mulher, mulher essa que morreu. As pessoas de Comala, que pouco ou nada se importaram com essa perda, ganharam então o ódio de Pedro Páramo e se já antes ele era cruel agora seria temível. Mais temível que ele era apenas Miguel Páramo, o único filho dos muitos bastardos que fez que reconheceu. Violações e assassinios eram comuns para esse rapaz. Quando morre ao cair de um cavalo, o padre vê-se obrigado a fazer a missa por ele e é então castigado pela Igreja, ficando incapaz de absolver os fiéis dos seus pecados. Isso leva a que todas as pessoas que morrem a partir daí em Comala vagueiem eternamente por ela.

Juan Rulfo tem uma escrita deliciosa e muito acessível, mas Pedro Páramo está longe de ser um livro fácil de ler. A narrativa não é linear, ora está no presente ora vai ao passado; a narração é feita por vezes na primeira pessoa, outras vezes na terceira pessoa; e a história é extremamente complexa e construída como se fosse uma manta de retalhos. Vamos sabendo tudo aos poucos, intercalado. E tudo isto em menos de 200 páginas! Li e irei com certeza reler, porque me deixou a sensação de não ter percebido tudo. É uma daquelas leituras a que é preciso voltar, uma e outra vez.

Pedro Páramo é um livro verdadeiramente incrível. É dificil explicar o porquê a quem não conhece a história, mas a verdade é que nunca li nada minimamente parecido com isto. Em um ou outro momento fez-me lembrar os Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez, mas as histórias são tão diferentes que nem faz sentido compará-las.

Um livro excepcional! 5*

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