Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos – Olga Tokarczuk

Livro Físico

“Foi a última vez que a vi. Chamei-a, zangada por me ter deixado enganar tão facilmente e por ser impotente face aos estranhos mecanismos da escravidão. Comecei a calçar-me e senti que aquela manhã cinzenta e assustadora me aterrorizava. Às vezes, tenho a impressão de que vivemos num grande e vasto sepulcro, com muitas pessoas. Olhei para o mundo submerso numa Escuridão cinzenta, fria e desagradável. A prisão não está no exterior e, sim, no interior de cada um de nós. É possível que não saibamos viver sem ela.”

Olga Tukarczuk nasceu a 29 de Janeiro de 1962 em Sulechów, na Polónia. Formada em psicologia, venceu em 2018 o prémio Man Booker Internacional e o Prémio Nobel da Literatura.

Olga Tokarczuk - Wikipedia
Olga Tokarczuk

Em Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos conhecemos a história de Janina Duszejko, uma velha senhora que vive numa aldeia isolada na Polónia. Amante da solidão e dos animais, Janina é astróloga, professora, encarregada de várias das casas da aldeia e tem uma estranha fixação por alcunhas. Tudo parecia calmo e normal naquela pequena terra, até que alguns caçadores começam a aparecer misteriosamente mortos. Janina, excêntrica e imprevisível, defende que são os animais que os matam, como vingança por todo o mal que eles fizeram. Mas será mesmo possível?

Quem lê muito, como eu, pode por vezes pegar numa nova leitura e acabar a sentir que está só a “ler mais do mesmo”, mais uma história igual a tantas outras, mais um clichê. Se há coisa que não acontece com esse livro, de todo, é essa sensação. O Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos é um livro totalmente fora da caixa (pelo menos eu nunca tinha lido nada parecido), que nos surpreende aos poucos.

Não vou dizer que é uma leitura leve, fácil e corrida, porque não é. Mas também, diria eu, não é isso que se espera ler quando se começa a ler um prémio nobel. Janina é uma senhora idosa e a escrita de Olga conta a sua história exatamente como eu imaginaria que uma senhora idosa contasse a sua história: lenta e pausadamente, com toda a calma que a idade traz. Ainda assim não se torna enfadonho nem demasiado monótono. É um ritmo continuo e cadenciado, quase, diria eu, como se a autora nos embalasse na sua escrita.

Quanto à história, tenho a dizer que me agarrou. Dizer que Janina é excêntrica é dizer pouco. Ela faz horóscopos, mapas astrais e prevê a data das mortes das pessoas. Defende que os assassinos são os animais, que os animais decidiram vingar-se e consegue ainda convencer algumas personagens da sua teoria. A dado momento, dei comigo também a tentar acreditar na sua teoria. Se tem razão ou não, isso vão ter de ler para saber… 😉

É um livro verdadeiramente bom, com uma história diferente e que nos traz nas entrelinhas uma ou outra verdade dura que nem todos queremos ouvir. Acredito que muitos não irão gostar deste livro. Eu adorei!

Livro muito recomendado! Sem dúvida merece uma leitura atenta!

5*

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