A minha mulher – Anton Tchekov

Wook.pt - A Minha Mulher

“Tenho observado, no correr dos anos, que todos aqueles que se preocupam demasiado, que se aborrecem, que não estão tranquilos e perdem a coragem são aqueles mesmos que têm culpas no cartório e sentem a consciência pesada, e também os medrosos e os cobardes. Os homens honestos, ousados e corajosos encaram a vida com alegria. Meu caro, se eu tiver a consciência tranquila perante Deus e perante os homens, as terras podem não produzir nada durante cinco anos, pode vir até um dilúvio, que eu terei razão apesar de tudo isso, e terei paz na minha alma e não me afligirei com coisa nenhuma neste mundo, quer tenha de ser eu a dar comer aos outros, quer os outros me sustentem a mim;”

“O senhor pensa e procede com honestidade, é certo, mas, por isso mesmo, tem ódio a toda a gente. Odeia os crentes, porque a fé é um sinal de estupidez e de ignorância, e odeia os ateus, porque não têm fé nem ideal. Odeia os mais velhos por causa da sua visão retrógrada das coisas e pelo seu espírito conservador, e odeia os jovens por serem liberais.”

 

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Anton Pavlovitch Tchekhov nasceu a 29 de Janeiro de 1860 em Tanganrog, na Rússia. Foi médico, dramaturgo e escritor, sendo considerado um dos maiores contistas de todos os tempos. Faleceu a 15 de Julho de 1904.

Em A minha mulher conhecemos Pavel Anndreievitch, um abastado ex-funcionário no Ministério das Comunicações e a sua mulher Natália Gavrilovna, que mantêm uma relação difícil e vivem numa Rússia profunda e rural do século XIX, com todos os seus problemas e conflitos.

Apesar do título do livro, aqui ficamos a conhecer muito mais do que a mulher de Pavel. Conhecemos uma Rússia rural, muito diferente do mundo como o conhecemos hoje. Com muitos conflitos, frio e fome. Pavel é, nesta história, um homem odiado e desprezado por todos. Rico mas solitário, até a mulher se afastou dele, afirmando que não o consegue suportar.

Nunca chegamos verdadeiramente a compreender porque ele é tão odioso assim, mas aceitamos esse facto por ele ser tão frisado. Até o próprio Pavel o aceita. E é então que decide mudar.

Este é um livro curto, que se lê em menos de nada. E é um livro muito mais profundo do que parece, que faz uma reflexão sem sentimentalismos sobre a natureza da humanidade. A sua crueldade, a sua indiferença. As injustiças sociais são tratadas aqui de uma forma muito honesta, muito directa e muito crua. No fim Pavel muda, mas ficamos sem compreender se isso é tão bom como é suposto. Ele passa do ódio para a indiferença.

Livro recomendado!

4*

Livro na Wook

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