Uma Biblioteca no Deserto

Em 1975 a Espanha abandonou a sua antiga colónia no Saara Ocidental, deixando para trás um país sem quaisquer infra-estruturas, com uma população completamente analfabeta e desprovida de tudo. O vazio criado pela Espanha foi aproveitado pela Mauritânia (que assenhora-se de um terço do território) e por Marrocos (que fica com o restante) invocando direitos históricos.

O governo no exílio do Saara Ocidental tem o nome de República Árabe Saaraui Democrática (RASD).

Aminatou Haidar nasceu a 24 de Julho de 1966 em Marrocos. Reconhece a invasão do Sahara Ocidental pelo seu país o que a levou a tornar-se activista em prol da República Árabe Saaráui Democrática e dos direitos humanos.

A sua ideologia pró saaráuis fez com que fosse perseguida e reprimida pelas autoridades marroquinas em várias ocasiões. Foi presa, torturada e mais tarde expulsa de Marrocos. Em 2009, depois de  ser expulsa realizou no Aeroporto de Lanzarote, em Espanha, uma greve de fome que durou 32 dias. A sua reivindicação era uma forma de acusar o governo espanhol de se abster no assunto, de actuar com conivência ao governo marroquino, e até mesmo de violar direitos humanos.

À chegada à ilha das Canárias, José Saramago fez questão de a visitar, manifestando dessa forma o seu apoio à sua luta e à luta de todo aquele povo. O escritor afirmou que:

«Marrocos em relação ao Saara transgride tudo aquilo que são as normas de boa conduta. Desprezar os Saarauís é a demonstração de que a Carta dos Direitos Humanos não está enraizada na sociedade marroquina, que não se rebela com o que se faz ao seu vizinho, e que é a prova de que Marrocos não se respeita a si próprio – quem está seguro do seu passado não necessita expropriar quem lhe está próximo para expressar uma grandeza que ninguém jamais reconhecerá. Porque se o poder de Marrocos alguma vez acabasse por vergar os Saarauís, esse país admirável por muitas e muitas coisas, teria obtido a mais triste vitória, uma vitória sem honra, nem glória, erguida sobre a vida e os sonhos de tanta gente, que apenas quer viver em paz na sua terra, em convivência com os seus vizinhos para que, em conjunto, possam fazer desse continente um lugar mais feliz e habitável.»

Hoje, passados dez anos, a Fundação José Saramago vem relembrar estes momentos e o facto de o Saara Ocidental se manter como a última colónia em África, estando grande parte da sua população confinada a acampamentos de refugiados. Para isso criou uma campanha que tem como objectivo a criação de uma biblioteca nos Campos de Refugiados do Saara Ocidental e um programa que incluirá debates e exposições sobre a situação nos territórios ocupados.

Está portanto a lançar um apelo a entidades públicas e privadas e a leitores: que lhes façam chegar livros em língua espanhola, para poderem desta forma constituir um acervo bibliográfico para criar uma biblioteca para estas pessoas.

Para mais informações podem visitar a página de facebook Uma Biblioteca no Deserto ou contactar a Fundação José Saramago.

 

 

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