A Rainha Vermelha – Philippa Gregory

“A luz do céu aberto surge brilhante depois da escuridão das divisões anteriores. Pestanejo e ouço o bramido de muitas vozes. Mas não é o meu exército a chamar por mim, este murmúrio que cresce e se transforma num estrondo não é o seu rugido de ataque, o tamborilar das suas espadas contra os escudos. O ruído ondulante do linho a esvoaçar com o vento não é o dos meus anjos e flores-de-lis bordados a flutuarem contra o céu, mas o dos malditos estandartes ingleses, agitando-se na brisa triunfante de Maio. É um bramido de uma espécie diferente da dos nossos adorados hinos, é um uivo de pessoas famintas por morte: pela minha morte.”

“Após vários meses de casada, estou tão longe de sentir desejo como quando era uma menininha; e parece-me que não existe nada com maior probabilidade de curar uma mulher da lascívia do que o casamento. Agora compreendo o que o santo quis dizer, quando afirmou que era melhor casar do que morrer queimado. Pela minha experiência, se casarmos de certeza que não arderemos.”

Em A Rainha Vermelha conhecemos a história de Margarida de Lencastre. Margarida queria ser freira mas não lhe é permitido; casa-se aos 12 anos, torna-se mãe aos 13 e rapidamente enviúva, voltando a casar com um homem bem mais velho. Mas Margarida tem ambições desmedidas e acaba por decidir que o seu filho há-de ser o rei de Inglaterra, custe o que custar.

Eu não sou muita fã de romances históricos. Acho, sinceramente, que é um género literário que dá pouco espaço para surpresas e reviravoltas na história, e eu adoro surpresas e reviravoltas. No entanto, enquanto bibliotecária, por diversas vezes me perguntaram se eu recomendava ou não os livros de Phillipa Gregory e eu, que nunca tinha lido nenhum, não tinha resposta. Por isso decidi pegar nesta obra.

Ia com poucas expectativas, porque realmente não é o meu género favorito. Mas a verdade é que assim que peguei neste livro o devorei, em dois dias estava lido. É realmente muito bom!

Uma chamada de atenção por este volume ser o segundo da série Guerra dos Primos. Sei que devia ter começado pelo primeiro, mas realmente não me apercebi e não fez muita diferença.

É um livro de leitura fácil, rápida e deliciosa. Embora não seja especialista em história, a sensação é de que Philippa Gregory tem uma boa base de pesquisa por trás e um grande dom literário. Lê-se de um fôlego e é realmente uma leitura saborosa.

Margarida, a personagem principal, é uma personagem um pouco chata de quando em vez. Está convencida que nasceu para coisas grandiosas, quer ser abadessa e quem sabe até santa, e julga ter visões de Joana D’Arc. Ainda assim, não é uma personagem suficientemente chata a ponto de nos fazer perder o interesse na sua história e na história que a cerca.

Fiquei curiosa para ler A Rainha Branca, o primeiro livro desta série e que grande parte das opiniões diz ser melhor que este. Quem sabe se não começa aqui o meu interesse pelos romances históricos? A história dos Tudor parece bem capaz de me despertar esse interesse e a maneira como Phillipa a conta, maioritariamente sob o ponto de vista feminino, é uma forma de escrita que eu pessoalmente adoro.

Livro muito recomendado!

4*

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3 comments

  1. Eu confesso que já li mais romances históricos. Há uns anos era o meu género preferido e li praticamente todos os livros de autores de:

    – Stephen Lawhead;
    – Jean Auel (aconselho vivamente a saga “Filhos da terra”;
    – Luisa Beltrão (a tetralogia “Uma História Privada”) é soberba;
    – Bernard Cornwell (a trilogia “Crónicas do senhor da Guerra” é qualquer coisa de extraordinário;
    – Ken Follet (a trilogia “O Século” é de facto extraordinária, embora com algumas falhas Históricas);
    – Steven Pressfield;
    – Gary Jennings (Asteca é soberbo);
    – João Paulo Oliveira e Costa.

    E mais uns tantos.

    De Philippa Gregory li uns tantos mas já foi numa altura em que estava a declinar esse género. Actualmente já não me despertam tanta curiosidade, em todo o caso considero-os um excelente meio para posteriores leituras mais sérias e exactas, entendes? Ou seja, foi devido a diversos romances históricos que empreendi a leitura e análise de livros de História sobre o determinado contexto que descobri num romance histórico.

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    • Entendo e concordo.
      Continua a não ser o meu género preferida mas ainda vou arriscar com a Rainha Branca, que fiquei curiosa.
      Qual é o teu género preferido, se é que tens?

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      • Olha, para te ser sincero não tenho “aquele” género que considero preferido.
        Em todo o caso prefiro livros de contexto científico, biografias e até de político, tipo “O meu programa de governo”. Também leio livros que abordem psicologia e sociologia.
        Romances prefiro sempre aqueles cujos autores me dêem logo à partida alguma garantia de qualidade, por isso é que ando sempre com algum clássico. De vez em quando, para espairecer, gosto de um thriller.
        Enfim, não tenho um género daqueles que considere preferido, mas sei que há generos que geralmente não leio, como ficcão científica, por exemplo.

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