Além as Estrelas São a Nossa Casa – Abel Neves

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“Todos os que me conhecem sabem, eu se não subo ao pessegueiro morro. Quando nasci já o pessegueiro aqui estava e sempre comi dos seus frutos. Foram os meus pais que me ensinaram a tratar dos ramos, a cortá-los no tempo certo. Hoje eles estão onde estão e eu continuo a tratar do pessegueiro. […] A força do invisível é o que faz com que os dias continuem  a ser dias e quando subo a árvore sinto o sangue correr-me de modo diferente…”

“Certas mulheres e certas montanhas têm semelhança. Na curvatura das almas, na ciência de manter mistério.”

“Mas também se nos lembrássemos cada dia, insistentemente como quem toma café, das sete maravilhas do mundo antigo que faríamos da vida que nos falta viver?”

“ninguém me pergunta mais, por exemplo se o Grande Espírito dos índios é o mesmo que o Deus dos brancos, evidentemente que o figurino de Deus depende das regiões porque o ele ser o mesmo parece-me que sim, apenas o vemos de modo diferente consoante as latitudes e longitudes do olhar”

 

Eu não sou uma pessoa que costume ler teatro. Para dizer a verdade, além das pessoas que trabalham ou que têm um hobbie na área, acho que quase ninguém é. Mas fiz teatro durante algum tempo, foi uma das melhores experiências que já tive e foi aí que fiquei a conhecer este livro fantástico!

Neste livro Abel Neves traz-nos várias histórias não relacionadas entre si, sob a forma de pequenas “cenas” para teatro.

Temos um homem que se não sobre ao pessegueiro morre. Duas mulheres prontas para ir a Marte. Amar-te. Diálogos sobre deuses e Deus. Casamento, montras, amor, solidão, diálogos, velhice. Ao todo são trinta textos, cada um mais belo que outro, cada um com a sua própria lição, com as suas próprias personagens. E as personagens são tão reais, tão vividas, tão puras e sentidas que as conseguimos sentir ao nosso lado, que quase as podíamos tocar. Temos vontade de as abraçar, de as tirar daquelas dores e daqueles universos quase paralelos que são exactamente o nosso!

Um livro muito profundo, cheio de palavras simultaneamente doces e dolorosas. E extremamente reais e vividas!

Eu não sou uma pessoa que tenha o hábito de ler teatro. Não é comum e não acho que seja algo fácil de ler. É preciso olhar para o texto com uma visão diferente. Por isso, eu acredito sinceramente que quem está aqui a ler este meu blog também não tenha o hábito de ler teatro.

Mas se decidirem ler um livro, nem que seja só um livro de teatro na vossa vida, eu digo “que seja este”.

Livro MUITO recomendado! Mesmo para quem não é amante de teatro!

Livro na Wook

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