A Mutilação Genital Feminina e a História de Khady

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“A mulher puxou o mais possível aquele bocadinho de carne com os seus dedos, e cortou-o como se estivesse a trinchar um naco de carne de zebu. Infelizmente, não conseguiu cortá-lo de uma só vez e foi então obrigada a serrá-lo.”

in Mutilada – Khady

 

Hoje, dia 6 de Fevereiro, é o Dia da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

A mutilação genital feminina (MGF) é também muitas vezes conhecida por circuncisão feminina. Consiste em retirar parte ou todos dos orgãos genitais femininos. É um ritual em vários Países Africanos, em alguns locais da Ásia e do Médio Oriente e em comunidades expatriadas.

O corte é habitualmente feito por um circuncisador tradicional, muitas vezes sem qualquer tipo de anestesia, e embora a maior parte das meninas seja circuncidada antes dos 5 anos, a idade varia desde o nascimento até à puberdade.

A ideia base desta pratica prende-se com ideias sobre pureza, estética, modéstia e na vontade de ter controle sobre a vida sexual da mulher.  Para fazer o corte são usados normalmente objectos não esterilizados como facas, navalhas, tesouras, vidro e pedras afiadas.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) existem 4 tipos de MDF:

  • Tipo I – Remoção parcial ou total do clitóris.
  • Tipo II – O clítoris é amputado e os lábios menores são removidos total ou parcialmente, com ou sem excisão dos lábios maiores.
  • Tipo III – Infibulação ou excisão faraónica. A infibulação é considerada a pior das formas de MGF, pois, após a amputação do clitóris e dos pequenos lábios, os grandes lábios são seccionados, aproximados e suturados , sendo deixada uma minúscula abertura necessária à passagem da urina e da menstruação. Esse orifício é mantido aberto por um filete de madeira. As pernas devem ficar amarradas durante 2 ou 6 semanas. Assim, a vulva desaparece sendo substituída por uma dura cicatriz. Por ocasião do casamento a mulher será “aberta” pelo marido (usando por vezes uma faca) ou por uma “matrona”, mulheres mais experientes no assunto. Mais tarde, quando se tem o primeiro filho, essa abertura é aumentada. Algumas vezes, após cada parto, a mulher é novamente infibulada.
  • Tipo IV – Todos os outros procedimentos nocivos para a genitália feminina, com fins não-médicos, por exemplo: picadas, piercing, incisão, raspagem e cauterização.

(fonte: wikipédia)

Algumas das consequências da MDF são, por exemplo: inchaço, hemorragia excessiva, dor, retenção de urina e problemas de cicatrização e infeção da ferida, hemorragia fatal, anemia, infecção urinária, septicemia, tétano, gangrena, fasciíte necrosante e endometrite.

A mortalidade neonatal também é aumentada por este costume, que torna complicações durante a gravidez e o parto mais frequentes. As mulheres vitimas deste costume sofrem também muitas vezes sequelas psicológicas como ansiedade, depressão e stress pós traumático.

 

Mutilada – Khady com Marie-Thérèse Cuny

khady mutilada.jpg

Quando soube que hoje era o Dia da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, lembrei-me logo deste livro. Faz parte da minha estante há muito tempo, lembro-me que o li logo depois do Queimada Viva.

É a história real de Khady, uma mulher senegalesa que foi excisada aos 7 anos de idade e aos 13 se viu obrigada a casar com um primo que vivia em França.  É uma história real, cheia de injustiças e da muita dor por que aquela mulher passou. Um retrato verídico que nos ajuda a despertar para coisas que normalmente não vemos. Coisas que, por vezes, se passam mesmo ao nosso lado.

É uma leitura que nos agarra, mas não vou dizer que é uma leitura fácil de ler, principalmente a parte do corte. É para estômagos fortes.

Livro recomendado.

 

Excertos:

“As mães tinham ido embora. Poderia ser considerado um abandono estranho naquele momento, mas, agora, também eu sei que qualquer mãe, mesmo com um coração de ferro, jamais conseguiria suportar a visão daquilo que vão fazer à sua filha e, sobretudo, os seus gritos.”

 

“Mesmo que a dor física tivesse desaparecido quatro dias depois, era na nossa cabeça que sofríamos. Era uma dor que fervia no interior como se estivesse para explodir a qualquer momento.”

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