Mar Alto – Caleb Azumah Nelson

Livro Físico

É como se o verão não tivesse sido senão uma longa noite e tu tivesses acabado de acordar. É como se ambos tivessem mergulhado no mar alto reemergido em lugares separados. É como se tivessem criado uma ligação apenas para a fraturarem, apenas para a romperem. É uma dor que nunca conheceste e não sabes como nomear. Contudo, tu sabias no que te estavas a meter. Sabes que amar é, ao mesmo tempo, nadares e afogares-te. Sabes que amar é ser um todo e uma parte, uma ligação, uma fratura, um coração, um osso. É sangrar e sarar. É fazer parte deste mundo, de uma forma honesta. É colocares alguém ao lado do teu coração, na absoluta escuridão das tuas entranhas, e teres confiança de que esse alguém te vai abraçar com força. Amar é confiar, e confiar é ter fé. Haverá outra maneira de amar?

Uma coisa é olharem para ti, outra é seres visto.

Tem o seu odor próprio, que é uma maneira preguiçosa de descrever o seu cheiro, na verdade, mas, se insistires, dirias que ela cheira a um lugar a que chamas casa.

Caleb Azumah Nelson é um escritor e fotógrafo britânico-ganês. Vive em Londres, Inglaterra. Foi recentemente selecionado para o Palm Photo Prize e ganhou o prémio People’s Choice.

Em Mar Alto o autor fala-nos de amor e, mais superficialmente, de racismo. É acima de tudo uma obra sobre amar e perder, sobre medo e incerteza e sobre um avassalador amor à primeira vista.

Apesar de nos trazer uma história de amor, eu diria que a história não é o verdadeiro foco deste livro. O verdadeiro foco é o sentimento, sendo o sentimento o amor mas também todos os outros sentimentos e emoções que o rodeiam.

É um livro que se devora vorazmente. No fim, fiquei com a sensação clara de que o autor nos está a contar a sua própria história de amor, que este livro, mais do que um romance, é um desabafo. Uma mensagem para alguém que ele amou e perdeu.

É um livro lindíssimo, quase poético. É poderoso, tal como o amor é poderoso. No entanto, é um livro que não sai da sua linha reta, que não nos traz surpresas nem reviravoltas.

Livro recomendado. 4*

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