Às Mulheres Portuguesas – Ana de Castro Osório

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“Mas esperemos serenamente, porque á mulher portuguêsa hade chegar tambem a sua vez de comprehender que só no trabalho póde encontrar a sua carta de alforria. Não no trabalho esmagador, exercido como castigo, mas no trabalho que enobrece o espirito, que dá o bello orgulho dos que só contam comsigo e nunca foram um peso para ninguem. E desde que se torne independente pelo seu proprio esforço, desde que saiba agenciar o pão que come, a casa que habita, os vestidos que veste, sem estar á espera do homem, fonte perene de todo o dinheiro que hoje a sustenta – seja como pai, como marido ou irmão – a sua alforria está decretada.”

OSÓRIO, Ana de Castro (1872-1935)
Ana de Castro Osório

Ana de Castro Osório nasceu a 8 de Junho de 1872 em Mangualde e faleceu a 23 de março de 1935 em Setúbal. Foi escritora, tendo escrito sobretudo livros infantis, jornalista e pedagoga. Era também marcadamente feminista e activista republicana. Podem ver outras obras desta autora neste link.

Em Às mulheres portuguesas Ana dirige-se, tal como o título diz, directamente a todas as mulheres portuguesas. Esta obra é o primeiro manifesto feminista português. Aqui, ela tenta alertar as mulheres para a importância da educação feminina e da sua independência financeira. Segundo Ana, até para ser uma dona de casa era essencial que a mulher tivesse alguns estudos e educação, para melhor poder educar e instruir os filhos, não se permitind ser intelectualmente inferior a eles. Passa por temas como a educação, o trabalho, a maternidade e o casamento mas também por outros mais vastos como as mulheres e a política e a situação do povo.

Pode parecer a um leitor mais desavido que este texto não é nada de especial, mas a verdade é que é. Foi um marco no seu tempo, é um documento histórico, e a coragem de Ana ao trazê-lo à luz do dia merece todo o nosso respeito. A leitura é fácil apesar de se encontrar num português mais antigo e as suas intenções são claras: levar as mulheres a lutarem pela sua educação e independência financeira; permitir que a sociedade aceitasse esta necessidade feminina; pôr as pessoas a pensarem na desigualdade que existia entre os sexos. É uma leitura verdadeiramente interessante, quer pelo seu valor feminista quer pelo seu valor histórico. Aqui olhamos directamente a sociedade da época e vemos o papel que as mulheres desempenhavam.

Muito mudou desde que Ana escreveu este documento. Mas o mais impressionante é ver o quanto ainda há para fazer.

Muito recomendado! 5*

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