A cidadela branca – Orhan Pamuk

Livro Físico

Muitos crêem que a vida não está previamente determinada e que todas as histórias são na realidade uma cadeia de coincidências. No entanto, mesmo aqueles que partilham dessa convicção, quando a certa altura da sua existência se põem a contemplar o passado, pensam que todos os acontecimentos que viveram eram na realidade inevitáveis.”
(p. 15)

“Eu amava-O, como amava a minha própria imagem lastimável, cheia de fraquezas, que via em sonhos, sufocada pela vergonha, a cólera, a tristeza e o sentimento de culpa que essa imagem transmitia, como a vergonha sentida com o espéctaculo da agonia de uma fera, bramindo de dor, ou a cólera que sinto face aos caprichos do meu próprio filho. E talvez O amasse subretudo por encontrar nesse amor a estúpida repugnância, a satisfação imbecil de me reconhecer n’Ele.”
(p. 175 e 176)

Orhan Pamuk

Orhan Pamuk nasceu a 7 de junho de 1952 em Istambul, na Turquia. É escritor e professor de literatura da Universidade Columbia e venceu o Prémio Nobel da Literatura em 2006.

Um jovem viajava, no séc. XVII, de navio. Quando o seu navio é tomado por turcos ele acaba feito prisioneiro e tornado escravo. Mas ele é diferente dos seus colegas do navio: estudou, tem conhecimentos, e sabe usar isso a seu favor. Acaba por ser comprado por um cientista turco a que chamam o Mestre e que tem uma estranha parecença física com ele. Mas a sua história está só a começar…

Uma leitura sem dúvida extremamente diferente das que já tinha feito este ano, mas acho que estava a precisar de algo assim. É um livro curto para ler devagar, com muita calma, e garantir que se percebe tudo. É curioso ver a ciência da altura, os progressos que tentavam fazer e que hoje em dia, para nós, já tomamos como garatidos.

Depois, e algo em que ainda estou a ponderar, aquele final. Apesar de ser algo que simplesmente acontece, de não nos surpreender grandemente nem ser uma reviravolta enorme, surpreende. E faz o livro valer a pena. Eu pessoalmente achei que o final era brilhante e dá um sentido totalmente diferente à história.

Recomendado. 4*

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