O Diabo e Outros Contos – Lev Tolstói

O Diabo e Outros Contos - Livro - WOOK

Livro Físico

“- Um momento – disse el. Pegou no machado com a mão direita, colocou o dedo indicador da esquerda no cepo, levantou o machado e abateu-o abaixo da segunda articulação. O dedo decepado soltou-se mais facilmente do que sucedia com os ramos da mesma grossura, rolou até à borda do cepo e caiu no chão.”

Lev Nikolaevitch Tolstoi nasceu a 9 de setembro de 1828 em Iasnaia Poliana, perto de Tula, no Império Russo e faleceu a 20 de novembro de 1910 em Astapovo. É um dos mais reconhecidos autores russos de sempre e autor de alguns dos maiores clássicos da literatura como Guerra e Paz ou Anna Karenina.

Dele já tínhamos lido por cá o livro A Morte de Ivan Ilicht. Foi uma leitura que me marcou mas ainda assim estes contos conseguiram surpreender-me imenso pela positiva. Esta obra é constituída por seis textos: O Diabo, O Patrão e o Moço de Estrebaria, O Padre Sérgui, Depois do Baile, Albert e Três Mortes.

São contos crus sobre a realidade. Não há meias palavras, meias verdades nem falinhas mansas. Tolstói traça-nos um retrato da natureza humana, dos nossos medos e inseguranças no que elas têm de mais real. O Diabo, o primeiro conto deste livro, foi sem dúvida o que mais me chamou a atenção e acho que é um daqueles textos de que me vou lembrar durante muitos anos, mesmo tendo em conta a enormidade de coisas que leio. A personagem que tem tanto medo de pecar que se suicida como forma de prevenção ou como castigo é algo quase arrepiante. É, ainda para mais, um conto com dois finais… mas qual deles o mais marcante?! Impressionou-me, admito. Se são fãs de finais felizes, este livro não é para vocês…

Os outros contos, apesar de não se destacarem tanto como este, são também assombrosos. É um livro sobre a dicotomia bem-mal, sobre religião e pecado e sobre a moral de cada um. Consegue falar de tudo isso sem se tornar numa critica ao que quer que seja, como se estivesse ali apenas a contar, imparcialmente, tudo aquilo. E é também um livro que nos deixa o peito apertado de tristeza, um sentimento de inutilidade e inevitabilidade que o leitor demorará a esquecer…

A escrita de Tolstói é incrível e muito mais acessível do que esperava (pelo menos nesta obra). Foi um livro que devorei de uma ponta a outra assim que comecei, algo que nem me passou pela cabeça se fosse possível. No fim, acho que o único defeito deste livro foi ter um fim.

Muito recomendado! 5*

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