O Monte dos Vendavais – Emily Brontë

Wook.pt - O Monte dos Vendavais

Livro Físico

“Os meus grandes tormentos neste mundo têm sido os tormentos de Heathcliff, e eu observei e senti cada um deles desde o princípio; o meu grande pensamento na vida é ele. Se tudo o mais desaparecesse e ele permanecesse, eu continuaria a existir; e se tudo o mais permanecesse e ele fosse aniquilado, o universo transformar-se-ia um imenso desconhecido. Eu não pareceria uma parte dele. O meu amor por Linton é como a folhagem das florestas. O tempo há-e mudá-lo, tenho perfeita consciência disso, como o Inverno muda as árvores. O meu amor por Heathcliff assemelha-se às rochas eternas que existem por baixo: uma fonte de puro deleite visível, mas necessárias.”

Emily Brontë nasceu a 30 de Julho de 1818 em Thornton no Reino Unido e faleceu a 19 de Dezembro de 1848 em Haworth. Foi escritora e poetisa e O Monte dos Vendavais é o seu único romance, considerado um clássico da literatura.

Em O Monte dos Vendavais conhecemos a história de Heathcliff e Catherine e das suas famílias. Encontrado abandonado pelo pai de Catherine quando ainda era uma criança Heathcliff é levado para a casa da família e lá é criado, mas nunca chega a ser tratado realmente como um dos seus membros. Ostracizado por Hindley, irmão de Catherine, tratado muitas vezes como um empregado, o verdadeiro pesadelo de Heathcliff começa quando a família de Catherine conhece a família de Linton, que logo se apaixona por ela.

Eu já tinha lido várias opiniões sobre este livro e, por isso, não posso dizer que não conhecesse a história. Ainda assim, fiquei imensamente surpreendida. Sabia que ia ser um livro um tanto ou quanto mórbido, com uma história dramática e fora do comum. Mas superou em muito todas as minhas expectativas.

Se no início me senti tentada a simpatizar com Heathcliff, a verdade é que a partir de determinado momento ele se transformou numa das personagens literárias mais odiosas que já conheci. Se teve razões para se tornar numa pessoa amarga e vingativa? Sim. Mas podia perfeitamente não o ter feito. E a falta de escrúpulos que ele alcança foi algo que me impressionou bastante. Muito se fala, quando se fala nesta obra, do momento em que ele pede ao coveiro para partir um dos lados do caixão de Catherine e um dos lados do seu, quando ele morrer, para poderem ficar lado a lado. Soa horrível mas a verdade é que para mim isso esteve muito longe de ser a pior coisa que ele fez.

Não posso dizer que não tenha gostado desta leitura. Adorei, para dizer a verdade. A história é inebriante, a leitura é corrida, as sensações que nos dá são intensas. Mas percebo perfeitamente que esta não é uma obra capaz de agradar a qualquer pessoa. É uma obra pesada, quase surreal. Não existe mundo nesta história além daquele que esta dentro de uma daquelas duas casas, ou no caminho entre elas. Não existe uma normalidade e há coisas que nunca chegamos a saber. Afinal, como foi que Heathcliff enriqueceu? Por onde andou?

Tentei criar empatia com Heathcliff, tentei compreender a primeira Catherine e, mais tarde, fiz as mesmas tentativas com as personagens que os seguem. De pouco adiantou. Heathcliff transformou-se oficialmente na personagem literária que eu mais detesto, se é que podemos detestar assim alguém que não existe realmente. E, apesar de tudo isto, este transformou-se estranhamente num dos meus livros preferidos. Tenho para mim que não é qualquer livro que nos causa sensações tão intensas.

Livro recomendado! Ou talvez não…

5*

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