A História de Rosa Brava – José Régio

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“A compaixão que tinha por todos misturava-se com ódio – o ódio que tinha à sua falta de entendimento. Pois não sabia ela que toda a gente compreendia muito pouco, principalmente por toda a gente só pensar em si? E tudo isto a atormentava a ponto de ter, por força, de ferir as pessoas, e lhes dizer coisas duras e trocistas… Mas não era a única maneira de lhes perdoar? de as não ficar detestando?”


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José Régio

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, nasceu a 17 de Setembro de 1901 em Vila do Conde e faleceu a 22 de Dezembro de 1969 na mesma cidade. Foi escritor, poeta, dramaturgo, romancista, novelista, contista, ensaísta, cronista, crítico, autor de diário, memorialista, epistológrafo e historiador da literatura, para além de editor e director da influente revista literária Presença, desenhador, pintor, e grande conhecedor e coleccionador de arte sacra e popular.

Em A História de Rosa Brava conhecemos Isabel e Rodrigo, bem como os seus cinco filhos: Isabel, Rosa, Chico, Quim (que faleceu com um ano e meio) e Marilia. Isabel, era a filha perfeita, sempre pronta para ajudar tudo e todos; Marília, a beleza e a doçura em pessoa, que conquistava qualquer um à primeira vista; Chico é arroganta e agressivo mas como é rapaz “não faz mal”. Só Rosa, a Rosa desta história, é criticada ao longo da história de uma maneira mais feroz por todas as personagens. Irrequieta, que chorava muito em bebé e mais tarde pregava muitas partidas, chegou ao ponto de ser apelidada de Rosa, a Brava. Mas será Rosa assim tão brava na realidade?

A História de Rosa Brava é um conto curto e de fácil leitura, que se lê de uma assentada. Não aprofunda muito, mas dá-nos um quadro geral daquela família que é o suficiente. Dá-nos, em poucas páginas, um retrato realista de uma situação que acontece muito nas nossas vidas, mesmo entre familiares: o não gostar verdadeiramente de alguém por não o conhecermos realmente. E a verdade é que nesta história a familia de Rosa nunca se dá verdadeiramente ao trabalho de a tentar conhecer. Apenas lhe impõem o rótulo de Brava, e a menina tem de aprender a viver com isso.

É bonito, tocante e um pouco doloroso. Admito que gostava que tivesse terminado de outra forma. Pode ser um conto curto, mas certamente não me vou esquecer dele. Achei realmente marcante.

Eu li esta história numa edição antiga que encontrei num alfarrabista, que tem só este conto e está esgotada. No entanto o conto pode ser lido no livro Histórias de Mulheres, do qual faz parte.

Nota: Na sinopse presente no site da Wook é dito que Rosa é uma jovem lésbica. Eu, no Book Haul que fiz antes de ler a história mencionei esse pormenor, porque ainda não tinha lido e não me passou pela cabeça que a sinopse da Wook estivesse mal. Mas a verdade é que está. A não ser que a história tenha mudado de uma edição para outra ou que eu não tenha realmente percebido a história, Rosa não é lésbica! A sensação que tenho é que a pessoa que fez a sinopse ou não leu a história ou então é alguém bastante preconceituoso que acha que se uma mulher não quer casar com um homem é porque é lésbica. Admito que estas coisas me mexem com os nervos! Desculpem lá o desabafo mas achei que devia avisar.

Livro recomendado!!

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