Vinte livros de ficção que toda a gente devia ler

Estamos a 23 de Abril, e 23 de Abril é o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. O ano passado, para marcar esta data, falámos de alguns livros preferidos dos bibliotecários. Este ano, para ser diferente, resolvemos trazer uma lista com 20 sugestões de livros que todos deviam ler pelo menos uma vez na vida. Preparados?

 

O Principezinho – Antoine de Saint-Exupéry

Wook.pt - O Principezinho

Cliché? Talvez, mas não podia faltar nesta lista.
O narrador da obra é um piloto com um avião avariado no deserto do Sahara, que, tenta desesperadamente, reparar os danos causados no seu aparelho. Um belo dia os seus esforços são interrompidos devido à aparição de um pequeno príncipe, que lhe pede que desenhe uma ovelha. Perante um domínio tão misterioso, o piloto não se atreveu a desobedecer e, por muito absurdo que pareça – a mais de mil milhas das próximas regiões habitadas e correndo perigo de vida – pegou num pedaço de papel e numa caneta e fez o que o principezinho tinha pedido.

 

Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago

Wook.pt - Ensaio sobre a Cegueira

Um homem fica cego, inexplicavelmente, quando se encontra no seu carro no meio do trânsito. A cegueira alastra como «um rastilho de pólvora». Uma cegueira colectiva. Romance contundente. Saramago a ver mais longe. Personagens sem nome. Um mundo com as contradições da espécie humana. Não se situa em nenhum tempo específico. É um tempo que pode ser ontem, hoje ou amanhã. As ideias a virem ao de cima, sempre na escrita de Saramago. A alegoria. O poder da palavra a abrir os olhos, face ao risco de uma situação terminal generalizada. A arte da escrita ao serviço da preocupação cívica.

 

1984 – George Orwell

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1984 oferece hoje uma descrição quase realista do vastíssimo sistema de fiscalização em que passaram a assentar as democracias capitalistas. A electrónica permite, pela primeira vez na história da humanidade, reunir nos mesmos instrumentos e nos mesmos gestos o trabalho e a fiscalização exercida sobre o trabalhador. O Big Brother já não é uma figura de estilo – converteu-se numa vulgaridade quotidiana.

 

 

Cem Anos de Solidão – Gabriel García Márquez

Wook.pt - Cem Anos de Solidão

Em Cem Anos de Solidão conhecemos a história da família Buendía, desde o seu patrono José Arcádio ao último dos Buendía, Aureliano. Com eles conhecemos também a história de Macondo, a terra de que os primeiros Buendía foram também fundadores. Uma obra que pode ser confusa de início mas que vale muito a pena. Falámos dele aqui.

 

A Quinta dos Animais – George Orwell

Wook.pt - A Quinta dos Animais

À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, «no tempo em que os animais falavam», os vícios de todos nós e as sua funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época – a nossa época – em que são os homens e as mulheres a comporta-se como animais. Falámos dele aqui.

 

Beloved – Toni Morrison

Wook.pt - Beloved

Em Beloved conhecemos a história de Sethe, uma mulher negra, escrava e mãe de três filhos, grávida do quarto. Quando a fazenda onde ela, o marido e os amigos trabalham muda de dono, as suas vidas pioram drasticamente. É então que resolvem fugir, mas os seus planos são descobertos. Sethe acaba por enviar os seus filhos à frente na fuga, ficando para trás em busca do marido, mas não o encontra. Quando finalmente resolve partir atrás dos filhos, vai empreender a fuga mais difícil da sua vida. Falámos desta obra aqui.

 

D. Quixote de La Mancha – Miguel de Cervantes

D. Quixote de La Mancha

Considerado o primeiro romance moderno, D. Quixote de La Mancha foi eleito em 2002 o melhor livro de todos os tempos por um conjunto de cem escritores nomeados pelo Instituto Nobel. D. Quixote, um fidalgo de Castela assanhado pela leitura de romances de cavalaria, decide que é seu “ofício e exercício andar pelo mundo endireitando tortos, e desfazendo agravos” e parte à aventura na companhia de seu fiel e prosaico escudeiro, Sancho Pança. As hilariantes maluquices do Cavaleiro Andante liquidam, com a sua “moral do fracasso”, as últimas ilusões da epopeia: aquilo a que Adorno chama “a ingenuidade épica”. Depois de D. Quixote , nada mais será igual.

 

Os Miseráveis – Victor Hugo

Wook.pt - Os Miseráveis I

Publicado em 1862, Os Miseráveis permanece, ao longo de mais de um século e meio, um dos romances mais importantes e populares de toda a literatura. A obra teve cerca de 65 versões cinematográficas, a primeira delas em 1909. Victor Hugo terminou de escrever Os Miseráveis quando contava sessenta anos. Através da personagem de Jean Valjean, o autor empreendeu uma vasta acusação sobre as desigualdades sociais da sua época.
Os Miseráveis não é apenas a narrativa de desgraça e reabilitação de um forçado às galés, vítima da sociedade, mas antes de tudo uma história do povo de Paris. A vida de Jean Valjean e a ligação que tem com Cosette é o fio condutor da narrativa. Através das suas vidas e encontros, desenha-se um fresco social variado, uma imagem de uma humanidade miserável, mas capaz de todas as grandezas. Homem do povo, esmagado por sucessivas humilhações, Jean Valjean assume as expiações dos pecados do mundo e, num esforço para se resgatar, assume o destino trágico da humanidade em busca de um mundo melhor.

 

Bestiário – Franz Kafka

Wook.pt - Bestiário de Kafka

O mais normal, seria eu optar por colocar nesta lista A Metamorfose do Kafka. E essa era realmente a minha primeira opção. Mas a verdade é que este outro livro, o Bestiário, não só incluí A Metamorfose como incluí vários outros contos muito bons do autor. Por isso, e só por isso, prefiro destacar este. Falámos dele aqui.

Mataram a Cotovia – Harper Lee

Wook.pt - Mataram a Cotovia

Situado em Maycomb, uma pequena cidade imaginária do Alabama, durante a Grande Depressão, o romance de Harper Lee, vencedor do Prémio Pulitzer, em 1961, fala-nos do crescimento de uma rapariga numa sociedade racista. Scout, a protagonista rebelde e irónica, é criada com o irmão, Jem, pelo seu pai viúvo, Atticus Finch. Ele é um advogado que lhes fala como se fossem capazes de entender as suas ideias, encorajando- -os a refletirem, em vez de se deixarem arrastar pela ignorância e o preconceito. Atticus vive de acordo com as suas convicções. É então que uma acusação de violação de uma jovem branca é lançada contra Tom Robinson, um dos habitantes negros da cidade. Atticus concorda em defendê-lo, oferecendo uma interpretação plausível das provas e preparando-se para resistir à intimidação dos que desejam resolver o caso através do linchamento. Quando a histeria aumenta, Tom é condenado e Bob Ewell, o acusador, tenta punir o advogado de um modo brutal. Entretanto, os seus dois filhos e um amigo encenam em miniatura o seu próprio drama de medos, centrado em Boo Radley, uma lenda local que vive em reclusão numa casa vizinha.

 

O Conde de Monte Cristo – Alexandre Dumas

Wook.pt - O Conde de Monte Cristo I

A história de um homem bom a quem roubam a liberdade e o amor. Um homem que regressará coberto de riquezas, vingador impiedoso e infalível, para além de toda a lei humana ou divina. Edmond Dantés quer reaver a mulher que amara, vingar-se dos seus inimigos, desafiar o destino…
Grande obra de um dos romancistas mais populares em todo o mundo e o mais célebre dos ficcionistas românticos franceses, autor de Os Três Mosqueteiros e A Tulipa Negra, entre outros.

 

Moby Dick – Herman Melville

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Moby-Dick, obra prima de Melville, o mais experimental dos romances, é a história de um louco e da sua vingança. Depois de ter sido mutilado por uma baleia, o capitão Ahab procura vingar-se. A baleia é Moby Dick, um ser gigantesco, o terror dos baleeiros. Pequod é o navio, em que Ahab instala um poder tirânico com o único propósito de abater o monstro dos mares, objecto de toda a sua raiva. Melville leva-nos por uma viagem inolvidável, uma rota orientada pelo desespero, a loucura e a crueldade. Este livro é hubris pura: conflito, confronto, ressentimento e ódio. É a aventura e o romance convertidos em mito. Um dos livros mais importantes jamais escritos. Entre as tábuas do Pequod, concentra-se toda a humanidade. A beleza e a tragédia do ser humano, cercado por um impiedoso oceano e dominado pelo turbilhão de uma vingança sem sentido. A luta do homem contra o homem, a luta do homem contra a natureza. No fim, a inevitável derrota. Um livro para ler e reler, que inclui ainda um ensaio de D.H. Lawrence sobre Moby-Dick.

 

Lolita – Vladimir Nabokov

Wook.pt - Lolita

Um leitor mais desavisado que abra este livro e leia este primeiro parágrafo, pode cair na tentação de pensar que esta é uma história de amor. Mas não, caros leitores, esta não é uma história de amor. Esta é uma história de perversidade, de completa e absurda perversidade. É uma história de doença, de pedofilia, de morte e do pior que há na sociedade. A escolha deste livro para esta lista pode ser polémico, porque não é um livro nada fácil de ler. É um livro que revira o estômago do leitor, que o faz revoltar-se, que muitos não conseguirão ler até ao fim. Mas a verdade é que é também um livro extremamente marcante e, por isso, achei que merecia estar nesta lista.

 

Crime e Castigo – Fiodór Dostoiévski

Wook.pt - Crime e Castigo

Raskólnikov, um estudante pobre e desesperado, vagueia pelos bairros degradados de São Petersburgo e comete um assassínio. A vítima é uma velha usurária. Raskólnikov imagina-se um grande homem, agindo por uma causa que está para além das convenções da lei moral e o coloca acima do comum dos mortais. O seu acto é praticado com uma mistura de sangue frio e exaltado misticismo. Mas quando inicia um jogo do gato e do rato com um polícia, Raskólnikov é cada vez mais perseguido pela voz da sua consciência. Apenas Sónia, uma prostituta, lhe concede a possibilidade de redenção. O crime de Raskólnikov foi inspirado no assassínio de duas mulheres, com um machado, ocorrido em 1865. Mas, pela mão de Dostoievski, transforma-se numa intensa narrativa, um protagonista desenraizado em busca de afirmação, uma obra em que confluem elementos psicológicos, sociais, éticos e filosóficos.

 

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

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Guy Montag é um bombeiro. O seu emprego consiste em destruir livros proibidos e as casas onde esses livros estão escondidos. Ele nunca questiona a destruição causada, e no final do dia regressa para a sua vida apática com a esposa, Mildred, que passa o dia imersa na sua televisão. Um dia, Montag conhece a sua excêntrica vizinha Clarisse e é como se um sopro de vida o despertasse para o mundo. Ela apresenta-o a um passado onde as pessoas viviam sem medo e dá-lhe a conhecer ideias expressas em livros. Quando conhece um professor que lhe fala de um futuro em que as pessoas podem pensar, Montag apercebe-se subitamente do caminho de dissensão que tem de seguir. Mais de sessenta anos após a sua publicação, o clássico de Ray Bradbury permanece como uma das contribuições mais brilhantes para a literatura distópica e ainda surpreende pela sua audácia e visão profética.

 

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

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Um dos maiores romances escritos em português e o mais marcante da obra de Machado de Assis. Este livro é uma festa da língua, revolucionário, destroçando todas as convenções literárias do seu tempo. O leitor é maltratado, há capítulos em branco, outros sem utilidade. Brás Cubas, o improvável herói desta história, não fez nada de especial. Apaixonou-se por uma mulher casada, falhou uma carreira política, nunca teve filhos. Depois morreu, e então escreveu as suas memórias.

 

O Som e a Fúria – William Faulkner

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O Som e a Fúria é a tragédia da família Compson, apresentando algumas das personagens mais memoráveis da literatura: a bela e rebelde Caddy, Benjy, o filho varão, o assombrado e neurótico Quentin; Jason, o cínico brutal, e Dilsey, o criado negro. Com as suas vidas fragmentadas e atormentadas pela história e pela herança, as suas vozes e ações enredam-se para criar o que é, sem dúvida, a obra-prima de Faulkner e um dos maiores romances do século XX. William Faulkner afirmou muitas vezes que O Som e a Fúria era o romance mais próximo do seu coração porque era o que lhe tinha causado mais sofrimento e angústia a escrever. Neste magnífico romance, publicado pela primeira vez em 1929, Faulkner criou a «menina dos seus olhos», a bela e trágica Caddy Compson, cuja história nos conta através dos monólogos separados dos seus três irmãos: Benjy, o idiota; Quentin, o suicida neurótico; e o monstruoso Jason.

 

Guerra e Paz – Lev Tolstói

Wook.pt - Guerra e Paz

Guerra e Paz narra a invasão da Rússia por Napoleão e os efeitos que esse acontecimento teve na vida da aristocracia, dos militares e de toda a população. Neste romance surgiram algumas das mais perduráveis personagens da literatura de sempre, o príncipe Andrei, Pierre Bezúkhov e a fascinante Natacha Rostova, que se tornaria indispensável para qualquer um deles.

 

O Deus das Moscas –  William Golding

Wook.pt - O Deus das Moscas

Um avião despenha-se numa ilha deserta, e os únicos sobreviventes são um grupo de rapazes. Inicialmente, desfrutando da liberdade total e festejando a ausência de adultos, unem forças, cooperando na procura de alimentos, na construção de abrigos e na manutenção de sinais de fogo. A supervisioná-los está Ralph, um jovem ponderado, e o seu amigo gorducho e esperto, Piggy. Apesar de Ralph tentar impor a ordem e delegar responsabilidades, muitos dos rapazes preferem celebrar a ausência de adultos nadando, brincando ou caçando a grande população de porcos selvagens que habita a ilha. O mais feroz adversário de Ralph é Jack, o líder dos caçadores, que consegue arrastar consigo a maioria dos rapazes. No entanto, à medida que o tempo passa, o frágil sentido de ordem desmorona-se. Os seus medos alcançam um significado sinistro e primitivo, até Ralph descobrir que ele e Piggy se tornaram nos alvos de caça dos restantes rapazes, embriagados pela sensação aparente de poder.

 

O Monte dos Vendavais – Emily Brontë

Wook.pt - O Monte dos Vendavais

O Monte dos Vendavais é uma das grandes obras-primas da literatura inglesa. Único romance escrito por Emily Brontë, é a narrativa poderosa e tragicamente bela da paixão de Heathcliff e Catherine Earnshaw, de um amor tempestuoso e quase demoníaco que acabará por afectar as vidas de todos aqueles que os rodeiam como uma maldição. Adoptado em criança pelo patriarca da família Earnshaw, o senhor do Monte dos Vendavais, Heathcliff é ostracizado por Hindley, o filho legítimo, e levado a acreditar que Catherine, a irmã dele, não corresponde à intensidade dos seus sentimentos. Abandona assim o Monte dos Vendavais para regressar anos mais tarde disposto a levar a cabo a mais tenebrosa vingança. Magistral na construção da trama narrativa, na singularidade e força das personagens, na grandeza poética da sua visão, nodoso e agreste como a raiz da urze que cobre as charnecas de Yorkshire, O Monte dos Vendavais reveste-se da intemporalidade inerente à grande literatura.

 

 

 

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