Agustina Bessa-Luís [Autor do Mês]

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Faleceu esta segunda-feira, dia 3 de Junho de 2019, aos 96 anos, a escritora Agustina Bessa-Luís vitima de doença prolongada. Trazemos hoje, em jeito de modesta homenagem, a sua biografia ao Autor do Mês.

fotoescrita600dpiMaria Agustina Ferreira Teixeira Bessa, de nome literário Agustina Bessa-Luís, nasceu na Vila Meã em Amarante a 15 de Outubro de 1922. Foi a segunda e última filha do empresário Artur Teixeira de Bessa e de Laura Jurado Ferreira. Durante a infância e adolescência de Agustina a família viveu em vários lugares da zona Norte como Gaia, Porto, Póvoa de Varzim, Águas Santas, Bagunte, Vila do Conde e Godim, algo que viria a marcar fortemente a sua obra enquanto escritora. Foi na biblioteca pessoal do avô materno que Agustina viria a conhecer os grandes clássicos da literatura e começaria a apaixonar-se pelos livros. Sabe-se que era especialmente fã de Camilo Castelo Branco.

Casou-se em 25 de Julho de 1945 com Alberto Luís, que conheceu através de um anúncio de jornal publicado pela escritora. Tiveram uma filha, Mónica.

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Agustina estreou-se na escrita em 1949 com a novela Mundo Fechado mas foi A Sibila em 1954 que a tornou realmente conhecida. Manoel de Oliveira adaptou vários dos romances desta autora ao cinema, como Fanny Owen (Francisca, 1981), Vale Abraão (filme homónimo, 1993), As Terras do Risco (O Convento, 1995) ou A Mãe de um Rio(Inquietude, 1998). Agustina foi também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria, (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).

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Entre romances, contos, peças de teatro, biografias romanceadas, crónicas de viagem, ensaios e livros infantis escreveu ao todo mais de 50 obras. Foi galardoada com o prémio Eça de Queirós em 1954, o Prémio Ricardo Malheiros em 1966/1977, o Prémio D. Dinis em 1980, o Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística em 1981, o Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB em 1983, o Prémio Seiva em 1988, o Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários em 1992, a Medalha de Mérito Cultural em 1993, o Prémio União Latina de Literaturas Românicas em 1997, um Globo de Ouro em 2002 o Prémio Vergílio Ferreira em 2004 e o Prémio Camões também em 2004.

Imagem relacionadaRepresentou as letras portuguesas em numerosos colóquios e encontros internacionais e realizou conferências em universidades um pouco por todo o mundo.  Foi membro do conselho directivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma, 1961-1962), directora do diário O Primeiro de Janeiro (1986-1987), directora do Teatro Nacional de D. Maria II (1990-1993), membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social, membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris) e da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa.

Agustina é um daqueles casos que, pessoalmente, me aperta o coração. Portuguesa de nascimento, uma mulher coragem que levou a literatura lusófona mais longe, mas que ainda assim é muito mais falada no universo literário brasileiro do que no português, apesar da indiscutível qualidade das suas obras. Por isso, deixo aqui o desafio: vamos todos ler Agustina?

 

A sua obra:

Ficção

Imagem relacionada1948 – Mundo Fechado (novela)
1950 – Os Super-Homens (romance)
1951-1953 – Contos Impopulares (romance)
1954 – A Sibila (romance)
1956 – Os Incuráveis (romance)
1957 – A Muralha (romance)
1958 – O Susto (romance)
1960 – Ternos Guerreiros (romance)
1961 – O Manto (romance)
1962 – O Sermão do Fogo (romance)
1964 – As Relações Humanas: I – Os Quatro Rios (romance)
1965 – As Relações Humanas: II – A Dança das Espadas (romance)
1966 – As Relações Humanas: III – Canção Diante de uma Porta Fechada (romance)
1967 – A Bíblia dos Pobres: I – Homens e Mulheres (romance)
1970 – A Bíblia dos Pobres: II – As Categorias (romance)
1971 – A Brusca (contos)
1975 – As Pessoas Felizes (romance)
1976 – Crónica do Cruzado OSB (romance)
1977 – As Fúrias (romance)
1979 – Fanny Owen (romance histórico)
1980 – O Mosteiro (romance)
1983 – Os Meninos de Ouro (ação)
1983 – Adivinhas de Pedro e Inês (romance histórico)
1984 – Um Bicho da Terra (romance histórico, biografia de Uriel da Costa)
1984 – Um Presépio Aberto (narrativa)
1985 – A Monja de Lisboa (romance histórico, biografia de Maria de Visitação)
1987 – A Corte do Norte (romance histórico)
1988 – Prazer e Glória (romance)
1988 – A Torre (conto)
1989 – Eugénia e Silvina (romance)
1991 – Vale Abraão (romance)
1992 – Ordens Menores (romance)
1994 – As Terras do Risco (romance)
1994 – O Concerto dos Flamengos (romance)
1995 – Aquário e Sagitário (narrativa)
1996 – Memórias Laurentinas (romance)
1997 – Um Cão que Sonha (romance)
1998 – O Comum dos Mortais (romance)
1999 – A Quinta Essência (romance)
1999 – Dominga (conto)
2000 – Contemplação Carinhosa da Angústia (antologia)
2001 – O Princípio da Incerteza: I — Jóia de Família (romance)
2002 – O Princípio da Incerteza: II — A Alma dos Ricos (romance)
2003 – O Princípio da Incerteza: III — Os Espaços em Branco (romance)
2004 – Antes do Degelo (romance)
2005 – Doidos e Amantes (romance)
2006 – A Ronda da Noite (romance)
2018 – Deuses de Barro (romance escrito em 1942)

Biografias

1979 – Santo António
1979 – A Vida e a Obra de Florbela Espanca (biobibliografia)
1979 – Florbela Espanca
1981 – Sebastião José
1982 – Longos Dias Têm Cem Anos — Presença de Vieira da Silva
1986 – Martha Telles: o Castelo Onde Irás e Não Voltarás (ensaio e biografia)

Teatro

1958 – Inseparável ou o Amigo por Testamento
1986 – A Bela Portuguesa
1992 – Estados Eróticos Imediatos de Soren Kierkegaard
1996 – Party: Garden-Party dos Açores — Diálogos
1998 – Garret: O Eremita do Chiado
Crónicas, memórias, textos ensaísticos
1961 – Embaixada a Calígula (relato de viagem)
1979 – Conversações com Dimitri e Outras Fantasias (crónicas)
1980 – Arnaldo Gama — “Gente de Bem”
1981 – A Mãe de um Rio (texto e fotografia)
1981 – Dostoievski e a Peste Emocional
1981 – Camilo e as Circunstâncias
1982 – Antonio Cruz, o Pintor e a Cidade
1982 – D.Sebastião: o Pícaro e o Heroíco
1982 – O Artista e o Pensador como Minoria Social
1984 – ”Menina e Moça” e a Teoria do Inacabado
1986 – Apocalipse de Albrecht Dürer
1987 – Introdução à Leitura de “A Sibila”
1988 – Aforismos
1991 – Breviário do Brasil (diário de viagem)
1994 – Camilo: Génio e Figura
1995 – Um Outro Olhar sobre Portugal (relato de viagem), com fot. de Pierre Rossollin, e il. de Maluda
1996 – Alegria do Mundo I: escritos dos anos de 1965 a 1969
1997 – Douro (texto e fotografia), em colab. com Mónica Baldaque
1998 – Alegria do Mundo II: escritos dos anos de 1970 a 1974
1998 – Os Dezassete Brasões (texto e fotografia)
1999 – A Bela Adormecida
2000 – O Presépio: Escultura de Graça Costa Cabral (texto e fotografia), em colab. com Pedro Vaz
2001 – As Meninas (texto e pintura)
2002 – O Livro de Agustina (autobiografia)
2002 – Azul (divulgação), em colab. com Luísa Ferreira
2002 – As Estações da Vida (texto e fotografia), fot. Jorge Correia Santos
2004 – O Soldado Romano, com il. de Chico
2016 – Ensaios e artigos

Literatura infantil

1983 – A Memória de Giz, com il. de Teresa Dias Coelho
1987 – Contos Amarantinos, com il. de Manuela Bacelar
1987 – Dentes de Rato, com il. de Martim Lapa
1990 – Vento, Areia e Amoras Bravas, com il. de Mónica Baldaque
2007 – O Dourado, com il. de Helena Simas

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