Porquê Ler Literatura Portuguesa?

Celebra-se hoje, dia 22 de Maio, o Dia do Autor Português.

Há por aí muita gente que ainda diz que não lê literatura portuguesa. Que não gosta, que não é tão boa como a literatura internacional, e mais uma data de argumentos mais ou menos desenvolvidos.

A verdade é que a literatura portuguesa é sim, muito boa e deve sim, ser lida. Querem saber porquê?

Porque é sempre melhor ler livros na língua original
E ao lermos livros portugueses, é isso que estamos a fazer. Assim evitam-se erros de tradução e as frases não perdem o sentido original dado pelo autor. Vamos ser honestos, há traduções que são realmente muito más! Na língua original isso não acontece. E as piadas não perdem o sentido! Quem nunca deu de caras com uma nota de rodapé que servia só para explicar aquela piada que na língua do autor faz todo o sentido mas na nossa nem por isso? Pois.

Porque é a nossa língua mãe
Porque faz parte da nossa identidade e da nossa cultura. Ao lermos literatura do nosso país acabamos por conhecer melhor a nossa terra e a nossa gente e, consequentemente, a conhecermo-nos melhor a nós próprios. Ficamos a compreender melhor os que nos rodeiam e a nossa própria história e ficamos a saber como chegamos onde estamos.

Porque é uma literatura muito tocante
Não sei se será do ambiente à beira-mar, se foi das perdas todas que o país sofreu ao longo da sua história e de todas as separações com que a nossa gente teve de viver, mas a verdade é que os livros de autores portugueses são (na sua maioria) livros muito tocantes. Falam de amor e dor, de encontros e desencontros e têm, muitas vezes, saudades na voz. Experimentem ler Teolinda Gersão, Afonso Cruz, os contos de José António Barreiros ou qualquer um dos grandes poetas deste país e digam lá se não tem uma profundidade especial…

Porque temos óptimos autores, muitos deles reconhecidos internacionalmente
É verdade, apesar de nem sempre nos lembrarmos disso. Fernando Pessoa, José Saramago, Camões e vários outros, são todos portugueses e grandemente reconhecidos internacionalmente. Como é possível que, nós por cá, não reconheçamos o seu valor?

Ler literatura portuguesa para não a deixar morrer
Pois é, esta é que é uma verdade. E não falamos só dos autores de grande renome, que já todos conhecemos, como os mencionados anteriormente. Falamos desses e daqueles autores pouco ou nada conhecidos, com obras muito boas mas que muitas vezes não chegam a ter uma oportunidade porque…literatura portuguesa não vende! Se nós não lermos, se nós não comprarmos, as editoras não publicam! Por isso vamos lá apoiar os nossos. Vai ver que ainda têm uma óptima surpresa…

One comment

  1. Olá Anabela!
    Tocas num assunto muito sensível porque, na minha óptica, toca na mais profunda essência do português.
    O teu post é referente a literatura, mas podíamos alargar isso a qualquer área cultural, aliás, a qualquer área, pese embora, e quero deixar isso bem claro, que se nota uma melhoria na nova geração, uma geração muito mais cosmopolita mas, simultaneamente, que olha para o produto português em pé de igualdade com qualquer outro.
    Em todo o caso porque é que eu refiro essência do português.
    Repara, tem razões históricas e culturais o facto de gostarmos mais do produto do estrangeiro do que do português.
    Enquanto império, Portugal, até ao séc. XVI, era um império orgulhoso e apreciado e respeitado por todo o mundo. A partir de 1580 tudo mudou. A União Ibérica, veio tirar Portugal do centro do mundo e inicia-se aí a queda de Portugal que nunca mais parou. Essa é a principal raiz que terá repercussões futuras que nem a restauração da independência em 1640 veio abater.
    No Séc. XIX, e pode perceber isso, por exemplo, nos livros de Eça. Bebia-se tudo o que era francês, tudo. A França era o centro do mundo cultural. Portugal era Lisboa e o resto do país era muito, muito pobre, praticamente não se produzia nada.
    E isso alongou-se até aos anos 80 do séc.XX quando entrámos na União Europeia. É a partir daí que Portugal se começa a abrir para o mundo e, curiosamente, continuamos a produzir muito pouco mas agora por razões das directrizes da União Europeia. Porém, com essa abertura, começam a surgir personalidades que começam a sobressair, não apenas na literatura, mas também no desporto, cinema, música, etc.
    Ou seja, não me quero alongar mais, mas o facto de se ter esse preconceito com tudo o que é português, vem de uma cultura muito enraizada que demora a diluir, para além disso há um outro facto: Inveja! Uma das grandes características do povo português é a inveja e o que se faz quando se tem inveja de alguém que sobressai? Ignora-se!
    Mas, agora, que a literatura portuguesa tem imensa qualidade, isso sem dúvida. Aliás, eu farto-me de dizer que se Eça de Queirós, Alexandre Herculano, Vergílio Ferreira fossem norte-americanos, seriam considerados em todo o mundo como génios da literatura.

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