Poetas Brasileiros [Especial Mês da Poesia]

Hoje, em mais um post do Mês da Poesia, vamos falar de poetas nascidos no nosso país irmão: o Brasil. Poetas muito bons, por sinal. Ora vejam lá…

 

Cecília Meireles

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Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no Rio de Janeiro em 1901. Foi jornalista, professora, pintora e poetisa. Descendente de uma avó portuguesa, por quem foi criada, perdeu quase toda a família ainda muito nova.

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
– depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

***

Vinicius de Moraes

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Marcus Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 1913. Boémio, conhecido por Poetinha, casou-se nove vezes e ficou conhecido principalmente pelos seus sonetos.

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais

***


Mário Quintana

Nascido em 1906 Mário de Miranda Quintana foi poeta, tradutor e jornalista. Considerado o “poeta das coisas simples”, o seu estilo é marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica.

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

***


Carlos Drummond de Andrade

Cronista, contista e poeta modernista mineiro, Drummond é considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX.

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

***

Cora CoralinaCora Coralina

Nascida em 1889 em Goiás, Cora foi poetisa e contista, considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras. Viu o seu primeiro livro ser publicado quando tinha já quase 76 anos de vida. Era uma mulher humilde do interior do brasil, doceira de profissão, que  não foi influênciada pela moda literária e isso transparece nos seus versos.

Mascarados

Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranquilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com optimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.

***

Resultado de imagem para manuel bandeiraManuel Bandeira

Nascido pernambucano em 1886, Manuel teve grande destaque na primeira fase do modernismo no Brasil.  Foi poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Escreveu também obras em prosa.

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
— “Meu pai foi à guerra!”
— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas…”

***

Manoel de Barros

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Nascido em 1910 no Mato Grosso foi considerado um dos maiores poetas brasileiros.
Foi um dos grandes destaques na terceira fase do modernismo no Brasil, chamada “Geração de 45” mas formalmente pertence ao pós-Modernismo brasileiro.

Os deslimites da palavra

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

***

Paulo LeminskiResultado de imagem para paulo leminski

Paulo Leminski nasceu em Curitiba a 24 de agosto de 1944. Foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor.

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

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