A Cor Púrpura – Alice Walker

A Cor Púrpura - Livro - WOOK

“Não há maneira de ler a bíblia sem pensar num Deus branco, diz ela. Depois suspira. Quando descobri que pensava que Deus era branco e homem, perdi o interesse. […]
O meu primeiro passo de afastamento do velho branco foi às árvores. Depois o ar. Depois os pássaros. Depois as outras pessoas. Um dia, quando estava sentada, calada e a sentir-me como uma criança sem mãe, o que era verdade, descobri-o: aquela impressão de fazer parte de tudo, de não estar separada. Sentia que, se cortasse uma árvore, o meu braço ia deitar sangue. E ri e chorei e corri pela casa toda. […]
Mas, mais que tudo, Deus gosta de admiração.
Estás a dizer que Deus é vaidoso? pergunto.
Ná, diz ela. Não vaidoso, apenas quer partilhar uma coisa boa. Acho que Deus fica lixado quando passas pela cor púrpura num campo qualquer e não dás por isso.”

Esta é a história de Nettie e Celie, duas irmãs negras no inicio do século vinte. É uma história dura sobre o papel das mulheres, sobre racismo e sobre violência.

Eu pensava sinceramente que este era um livro que ia ler em dois tempos, um livro em que ia pegar num dia e terminar no outro. Sabia que a história me interessava, sabia que era boa e o livro é relativamente pequeno. Mas não aconteceu. Andei semanas a lê-lo, lia e parava, lia e parava. Não porque a história não fosse boa, apenas porque é realmente uma história pesada.

Celie, a quem melhor conhecemos neste livro, é uma mulher negra pobre e humilde, pouco instruída e francamente ingénua, a quem parece que acontecem todas as desgraças possíveis: órfã de mãe, é violada, engravida duas vezes e das duas vezes lhe tiram os filhos. É dada em casamento a um homem bem mais velho, viúvo, para criar os filhos dele. Separada da irmã, a pessoa que mais ama e que mais a ama, passam anos sem saber nada uma da outra, sem nunca desistirem de um dia se voltarem a encontrar.

Eu adorei este livro. Amei mesmo. A história é linda, tristíssima e muito real.   A vida de Celie e de Nettie dá voltas e reviravoltas e deixa-nos uma melancolia imensa no peito. O fim é de ir às lágrimas.  Celie é semianalfabeta e está de tal forma habituada a ser mal tratada, agredida e violentada que muitas vezes nem percebe. Quando chega Shug, a última pessoa com quem esperávamos que Celie travasse amizade, o impensável acontece e elas tornam-se inseparáveis. É aí que Celie começa finalmente a ganhar a sua própria voz, devagar, com passinhos de caracol.

Esta é uma história linda, mas só para quem conseguir ver a beleza nas coisas pequenas. Como o esforço de Celie para escrever a Deus e a Nettie, mesmo mal sabendo escrever. Como a cor púrpura. Como a pequena vitória que é costurar um par de calças ou cantar uma canção num bar de estrada. Como o canto dos pássaros e o tronco das árvores.

Esta é uma história de dor e sofrimento. Não é um livro fácil de ler.
Mas é também uma história de coragem. E essas são as melhores.

Livro muito recomendado!!

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