A Queda Dum Anjo – Camilo Castelo Branco

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“Com estas zombarias é que em Portugal os sábios são premiados… Se Calisto fosse um parvo, o governo dava-lhe um subsidio até ele achar o chafariz dos cavalos.”

“Portugal está alagado pela onda de corrupção, que subverteu a Roma imperial! Os costumes dos nossos maiores são metidos a riso! As leis antigas, que eram o baluarte das antigas virtudes, dizem os sincofanas que já não servem à humanidade…”

“Duas enfermidades há aí cujos sintomas não descobrem as pessoas inexpertas: uma é o amor, a outra é a ténia. Os sintomas do amor, em muitos indivíduos enfermos, confundem-se com os sintomas do idiotismo. É mister muito acume de vista e longa prática para discriminá-los. Passa o mesmo com a ténia, lombriga por excelência. O aspecto mórbido das vitimas daquele parasita, que é para os intestinos baixos o que o amor é para os intestinos altos, confunde-se com os sintomas de graves achaques, desde o hidrotórax até à espinhela caída.”

Neste livro conhecemos Calisto Elói, morgado da Agra de Freimas e fidalgo transmontado conservador. Com aspirações politicas Calisto acaba eleito deputado e vai viver para Lisboa, onde depressa trai a mulher, Teodora, com a prima Ifigénia.

Mais do que uma sátira ao seu tempo, este livro é também uma sátira ao nosso tempo. Parece escrito de propósito para os dias que correm, não fosse a forma de escrita denunciar já a altura em que foi escrito e poderia mesmo enganar muitos distraídos.

Dois temas predominam: politica e adultério. Pessoalmente, nenhum desses temas é dos meus preferidos e juntando isso à linguagem mais antiga admito que tive dificuldade em ler este livro. Não é, nem de perto, um dos meus preferidos.

Já tinha lido Camilo antes, mas num registo diferente, mais romântico e menos politico. Na altura, foi um autor que adorei ler, o que me fez ficar um tanto ou quanto decepcionada com este segundo livro.

Ainda assim, reconheço-lhe valor. A sátira que faz é fantástica e precisa, independentemente da época. Calisto é uma personagem algo caricata mas que nos põe muitas vezes a rir.

Livro recomendado.

 

2 comments

  1. Li este livro há uma série de anos e recordo-me vagamente da história, mas e sobretudo recordo-me que gostei da história, pese embora, confesse, Camilo não seja um autor que considere “grande” escritor, pois as obras dele, também devido ao tempo em que viveu e como viveu, não diferem muito, estando classificadas como “corrente romântica”.

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