Ode aos primeiros livros: Geração Harry Potter

“Enquanto um homem pensar
Que vale mais que outro homem,
São como os cães a ladrar,
Não deixam comer, nem comem

Não me sei rir, nem preciso;
Dos que não têm juízo.”
Ris de mim, e eu de ti
Quem tem juízo não ri

António Aleixo
in Este livro que vos deixo…

Surpresa surpresa! Sou da geração Harry Potter e consigo ler poesia!

Pronto, falemos agora a sério.

Estou cansada de receber olhares criticadores cada vez que digo que sou fã de literatura fantástica. Farta desses pseudo intelectuais e dos seus preconceitos literários.

É, eu sou mesmo fã de literatura fantástica! Li J. K. Rowling, George R. R. Martin, Philip Pullman, Ursula K. Le guin, C. S. Lewis, Tolkien, entre vários outros. E sabem porque é que, até hoje, é a literatura fantástica a minha preferida? Porque foi um Harry Potter o meu primeiro livro. Porque se não fosse a magia de Hogwarts eu não seria a leitora que hoje sou.

Graças a esse Harry Potter, tão aclamado de inútil por tantos especialistas super inteligentes, eu continuei a ler. Graças a ele eu conheci o mundo com Júlio Verne, andei de comboio com Paula Hawkins e chorei com o menino que cavalgava os troncos do seu pé de laranja lima. Pasmem-­se, eu conheci até a Blimunda, os cegos de Saramago e as fábulas de Fedro.

Há um encanto qualquer que paira sempre sobre aquele primeiro livro que nos apaixonou. Para os leitores mais ávidos, é quase como a lembrança de um primeiro amor. E sejamos sinceros, quantos de nós se tornaram leitores através de um prémio nobel?

Todos os livros são válidos desde que tenham o dom de fazer alguém ler. Por isso, a mensagem hoje é só esta: leiam! Leiam muito, leiam sempre, mas nunca leiam por obrigação. Ler é prazer, não um concurso para saber quem vale mais.

E se alguém vos disser que as vossas leituras não prestam, que são pouco inteligentes, sejam superiores: leiam, em vez de empinar o nariz para as leituras dos outros.

Porque no fim do dia, quando se apaga a luz e se fecha o livro, a única coisa que interessa é que ele tenha dito o que precisávamos ouvir. No fim, o que interessa é que tenhamos aprendido as lições certas.

O valor da amizade verdadeira, como a de Harry e Ron. A nunca desistir do verdadeiro amor, como Ginny Weasley. Que a morte é “apenas a próxima grande aventura”, como para Nicholas Flamel. Que enfrentar os nossos medos os torna menores, diria Neville Longbottom. Que ler transforma a nossa vida, como a de Hermione Granger. A ser verdadeiro, independentemente do que pensem sobre nós, como Luna.

E, sobretudo, a nunca julgar os outros. Mesmo que eles se pareçam com Snape.

 

 

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