Passeio Literário por Évora

Hoje estamos aqui para vos desafiar! A sério! Já alguma vez pensaram em fazer um passeio literário?

Normalmente um passeio literário é organizado por alguma entidade, muitas vezes pago. Mas nós achamos que todos devem poder passear e conhecer os autores à vontade, portanto vamos trazer-vos alguns passeios literários aqui para o blog nos próximos tempos. O primeiro, claro está, é em Évora, afinal, é a nossa cidade!

Podem ver o passeio literário neste post ou se preferirem (nós recomendamos antes essa opção), podem fazer o download do texto em PDF, imprimir, e lê-lo na integra apenas quando forem realizar o passeio.

O PDF:

Para começar nós recomendamos que estacionem o carro no Rossio de São Brás e realizem o passeio a pé. No entanto, se algum dos membros do vosso grupo tiver problemas de mobilidade isso pode não ser uma opção, pelo que podem dirigir-se à maioria dos sítios de carro e estacionar lá, mas o estacionamento pode ser difícil.

Para vos apresentar o Rossio deixamos as seguintes palavras, de Eça de Queiroz:

“Quem me diria nos meus primeiros anos, quando eu me reputava feliz em ir ao Rossio comprar um lanceiro de barro, uma farfalhuda primavera, em furtar algum ganchinho para meia, quando me extasiava ante um pretinho arvorado em paliteiro, que ainda havia de ter à minha disposição uma crónica para descrever, para cantar, a Feira de S. Brás! Este ano teve ela um terrível rival no passeio público; roubou-lhe muitos atractivos, muitos encantos! O passeio apresentou nesses dois dias lindíssimos um carácter quase exclusivo; a feira de S. Brás foi quase exclusivamente também o verdadeiro arraial popular.
[…]
Embora venha o passeio disputar concorrência com ela, ela á a festa popular, ela é uma das mais queridas diversões da monotonia insuportável que pesa constantemente sobre o mundo eborense; ela perfaz por si só uma das tão raras épocas em que em Évora o homem conhece a mulher, em que vive com ela e perto dela, em que os dois sexos se confundem momentaneamente, em que se ri, em que se folga, em que se mostra por instantes a vivacidade aliás tão própria dos povos do Meio Dia.”

Eça de Queirós
“A Feira de S. Brás” in O Distrito de Évora

Eça de Queirós nasceu a 25 de novembro de 1845 na Praça do Almada, Póvoa de Varzim e faleceu a 16 de agosto de 1900 em Neuilly-sur-Seine, França. Dele recomendamos as obras A Relíquia e O Crime do Padre Amaro. Viveu na Travessa dos Frades Grilos e trabalhou no jornal Districto de Évora.

Depois de estacionarem no Rossio de São Brás podem começar por entrar na Parque Infantil do Jardim Público. Lá encontrarão, mesmo de frente para o portão principal, o busto do Garcia de Resende.

Garcia de Resende foi poeta, cronista, músico e arquiteto. Natural de Évora, nasceu em 1470 e faleceu em 1536. Ficou conhecido por ter compilado o Cancioneiro Geral, uma obra com poesia portuguesa de meados do sec. XV até 1516, que podem ver em https://purl.pt/12096

Para lerem nesta paragem deixamos com estas palavras de Garcia de Resende, que apesar de não terem diretamente a ver com Évora nos parecem valer muito a pena:

Não Receeis Fazer Bem

Senhoras não hajais medo
não receeis fazer bem
tende o coração mui quedo
e vossas mercês verão cedo
quão grandes bens do bem vem.
Não torvem vosso sentido
as cousas qu’haveis ouvido
porqu’é lei de deos d’amor
bem, vertude nem primor
nunca jamais ser perdido.

Por verdes o galardão
que do amor recebeu
porque por ele morreu
nestas trovas saberão
o que ganhou ou perdeu.
Não perdeu senão a vida
que pudera ser perdida
sem na ninguém conhecer
e ganhou por bem querer
ser sua morte tão sentida.

Ganhou mais que sendo dantes
nom mais que fermosa dama
serem seus filhos ifantes
seus amores abastantes
de deixarem tanta fama.
Outra mor honra direi:
como o príncepe foi rei
sem tardar mas mui asinha
a fez alçar por rainha
sendo morta o fez por lei.

Os principais reis d’Espanha
de Portugal e Castela
e emperador d’Alemanha
olhai que honra tamanha
que todos decendem dela.
Rei de Nápoles também
duque de Bregonha a quem
todo França medo havia
e em campo el rei vencia
todos estes dela vem.

Por verdes como vingou
a morte que lh’ordenaram
como foi rei trabalhou
e fez tanto que tomou
aqueles que a mataram.
A um fez espedaçar
e ò outro fez tirar
por detrás o coração
pois amor dá galardão
não deixe ninguém d’amar.

Podem ver o poema na integra neste link

De seguida desçam as escadas que estão escondidas por trás do autor e subam as escadas seguintes. Encontram-se agora no Jardim Público de Évora. Recomendamos que antes da próxima paragem vagueiem livremente pelo Jardim, que vale bem a pena conhecer.

A próxima paragem é o busto de Florbela Espanca, que está próximo de um dos portões principais do Jardim, perto do quiosque.

Florbela Espanca nasceu a 8 de dezembro de 1894 em Vila Viçosa e faleceu a 8 de dezembro de 1930 em Matosinhos. Viveu em Évora na sua juventude, estudou no Liceu Nacional de Évora, atual Escola Secundária André de Gouveia mas que à época se situava nas instalações que hoje são a Universidade de Évora, Colégio do Espírito Santo.

Para leitura neste ponto recomendamos o poema de Florbela O Meu Alentejo:

O Meu Alentejo

Meio-dia: O sol a prumo cai ardente,
Doirando tudo. Ondeiam nos trigais
D’oiro fulvo, de leve… docemente…
As papoilas sangrentas, sensuais…

Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o oiro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros…
Olhando esta paisagem que é uma tela

De Deus, eu penso então: Onde há pintor,
Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!

Da autora recomendamos ainda os livros Contos Completos e Poesia Completa.

De seguida saiam pelo portão do Jardim que dá diretamente para a Praça 1º de Maio. Aqui encontram o mercado da cidade, a Igreja de São Francisco e a Capela dos Ossos. Os dois últimos são pontos indispensáveis na visita à cidade, portanto já sabem, visitem! Para lerem nesta zona deixamos as seguintes palavras de Júlio Dantas:

“A noite caíra pesadamente sobre a mole enorme de granito do convento de S. Francisco de Évora, quase tão velho como o próprio S. Francisco de Assis; descera cavando sombras ao longo dos gigantes da abside, apagando nas arestas da torre os cogoilos de pedra doirada, povoando de vultos confusos as poderosas arcadas da galilé, onde a luz dum lampião de ferro oscilava açoitada pelo vento. Os sinos da oração tinham batido em todos os mosteiros da cidade – além, nos jerónimos do Espinheiro; mais perto, nos cartuxos de Ara Coeli; agora em timbres agudas e longínquos de sineta, logo em sons cavos de prato de cobre sacudido no ar; aqui, ali, picando Évora inteira, em todos os campanários, em todas as torres, nas bernardas de S. Bento, nas claristas do Calvário, nas carmelitas de Santa Teresa, nos dominicanos do Paraíso -, como se a cidade toda fosse um convento colossal sobre cujos telhados se debruçasse velho gigante romântico coberto da poeira de oiro dos séculos, a torre octogonal da Sé.”

Júlio Dantas in “A cidade dos mosteiros”, Conto “Frei António das Chagas” in Pátria
Portuguesa ”In Pátria Portuguesa.

Júlio Dantas nasceu a 9 de maio de 1876 em Lagos e faleceu a 25 de maio de 1962 em Lisboa. Foi escritor, médico, político e diplomata português e um dos mais importantes intelectuais do séc. XX.

Quando terminarem essa visita subam a Rua Romão Ramalho e vão ter diretamente à Praça do Giraldo, o ponto central da cidade.

Na praça podem ver as arcadas, a Igreja de Santo Antão e a Fonte da Praça do Giraldo. Mais uma vez, recomendamos que visitem! Recomendamos também que bebam um Café no Café Arcada, mais um dos sítios emblemáticos da cidade (apesar de não ser propriamente o café mais barato…)

Para vos apresentar a Praça temos Vergilio Ferreira.

Vergílio António Ferreira nasceu a 28 de janeiro de 1916 em Gouveia e faleceu a 1 de março de 1996 em Sintra. Foi escritor e professor. Dele recomendamos os livros Aparição e Alegria Breve. Sobre Évora diz o autor:

“Mas a cidade é fácil nesta rua principal: o que se perde nela não são os passos mas apenas, quando muito, o olhar. Com efeito, nas súbitas arcadas que levam à Praça, abre-se-me um obscuro labirinto onde julgo repercutirem-se, como ecos de uma gruta, os ecos do tempo e da morte.

E é como se aqui ouvisse ainda a tragédia da planície nos teus corais de camponeses. Subo a rua que leva à Sé, viro ao largo do Templo de Diana. E nas colunas solitárias ouço como o murmúrio antigo de uma floresta imóvel. O zimbório da Sé brilha, dourado ao sol matinal. Fico a olhá-lo longo tempo, parado sob um arco que se lança sobre a rua, suspenso do silêncio e de memória. Depois as ruas descem apressadas, oblíquas a velhos medos, até outras ruas obscuras, onde me perco. E finalmente descubro o edifício do Liceu.”

Vergilio Ferreira In Aparição

Após esse desvio queremos que voltem novamente à Praça do Giraldo e subam a Rua Cinco de Outubro, que vos vai levar diretamente da Praça do Giraldo à Sé de Évora, mas não sem pararem no caminho. A Rua Cinco de Outubro é uma rua cheia de lojas de artesanato, o que só por si já é um passeio interessante. E é também dessa rua que sai transversalmente a Rua Diogo Cão, que recomendamos que visitem uma vez que foi nesta rua que viveu Florbela Espanca.

Sobre a parte do percurso que vão realizar agora, queremos que possam ler novamente Vergilio Ferreira:

E é como se aqui ouvisse ainda a tragédia da planície nos teus corais de
camponeses. Subo a rua que leva à Sé, viro ao largo do Templo de Diana. E nas
colunas solitárias ouço como o murmúrio antigo de uma floresta imóvel. O
zimbório da Sé brilha, dourado ao sol matinal. Fico a olhá-lo longo tempo,
parado sob um arco que se lança sobre a rua, suspenso do silêncio e de
memória. Depois as ruas descem apressadas, oblíquas a velhos medos, até
outras ruas obscuras, onde me perco. E finalmente descubro o edifício do
Liceu.”

Vergilio Ferreira in Aparição

Quando chegarem ao topo da Rua Cinco de Outubro vão estar de frente para a Sé Catedral de Évora. Mais uma vez um sitio icónico da cidade, visita obrigatória. Há vossa direita têm um edificio chamado Palácio do Vimioso, pertencente à Universidade de Évora e se caminharem um pouca para a esquerda vão chegar ao Largo Conde de Vila Flor.

Para vos apresentar a Sé de Évora trazemos este excerto de um texto de José Luís Peixoto:

“Um estalido dos joelhos é suficiente para ecoar por toda a basílica, pela Sé de Nossa Senhora da Assunção. Esta é a maior catedral medieval portuguesa. A luz entra por uma janela redonda, incandescente, atravessa a distância e acerta no altar, onde é refletida pelo dourado. Desde a sua construção, entre os séculos XII e XIII, quantas promessas e súplicas foram feitas neste corredor? Passamos ao claustro e reencontramos o dia em toda a sua leveza. As camélias estão abertas, as laranjeiras estão cheias de fruta, são vivas as cores do pátio. Pequenos pardais descansam nesta trégua, o seu mundo é idílico. Lá em cima, tocam os sinos como se nos chamassem. Subimos por uma escada de caracol que parece não terminar. O aperto dessa longa passagem é compensado pelo céu inteiro. No cimo da torre da catedral, absolutamente livres, temos diante de nós toda a cidade e, depois, lá ao fundo, todo o Alentejo.”
(José Luís Peixoto in https://www.joseluispeixotoemviagem.com/post/evora-portugal)

José Luís Peixoto nasceu a 4 de setembro de 1974 em Galveias, Ponte de Sor, Portalegre. Apesar de não ser eborense é alentejano e também ele nos fala de Évora e dos imensos campos alentejanos. É narrador, poeta e dramaturgo e dle recomendamos as obras Almoço de Domingo, Cal e Cemitério de Pianos.

Após a visita à Sé queremos que se desloquem até ao Largo Conde de Vila Flor, onde encontram o Templo Romano de Évora, o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, a Biblioteca Pública de Évora e o Jardim de Diana. Todos eles são pontos que não podem faltar numa visita à cidade! Para este largo deixamo-vos com as palavras que Miguel Torga usa para falar de Évora e dos seus alentejanos:

“Beja tem a sua torre de mármore, com uma tribuna para ver meio Portugal; Portalegre os seus palácios barrocos, para enchar de solidão; Elvas o seu aqueduto de sede arqueada e a sua feiura para meter medo aos espanhóis; Estremoz a sua praça do tamanho de uma herdade. Mas Évora olha os horizontes do alto do seu zimbório espelhado, povoa as casas de lembranças vivas e gloriosas e, sequiosa apenas do eterno, risonha e aconchegada, enfrenta as agressões do transitório com a força da beleza e a amplidão do espírito.
Será talvez alucinação de poeta. Mas porque nela se documenta inteiramente a génese do que somos, o que temos de lusitanos, de latinos, de árabes e de cristãos, e se encontra registado dentro dos seus muros o caminho saibroso da nossa cultura, – se estivesse nas minhas mãos, obrigava todo o português a fazer uma quarentena ali. Uma lei pública devia obrigá-lo a entrar na cidade a desoras, numa noite de luar. E, sem guia, mandá-lo deambular ao acaso. Seria um filme maravilhoso da história pátria que se lhe faria ver, com grandes planos, ângulos imprevistos, sombras e sobreposições. Uma retrospectiva completa do que fizemos de melhor e mais puro no intelectual, no político e no artistico. Só de manhã seria dado ao peregrino confirmar com a luz do sol a luz do écran. E se ao cabo da prova não tivesse sentido que num templo de colunas corintias se pode acreditar em Diana, numa Sé românica se pode acreditar em Cristo, e num varandim de mármore se pode acreditar no amor, seria desterrado.”

Miguel Torga in Portugal

Adolfo Correia da Rocha nasceu a 12 de agosto de 1907 em São Martinho de Anta e faleceu a 17 de janeiro de 1995 em Coimbra. Optou pelo pseudónimo Miguel em homenagem a Miguel de Cervantes e a Miguel de Unamuno e Torga em referência a uma planta da região de onde é natural. No final dos anos 40 Miguel Torga viajou de automóvel com o seu amigo Fernando Valle Teixeira, viagem que deu origem ao livro Portugal, onde o autor nos apresenta o país de lés a lés.

De estilo coríntio, o Templo Romano de Évora foi construído no início do século I, d.C., é um dos mais bem preservados da Península Ibérica e foi considerado Património Mundial pela UNESCO em 1986. É muitas vezes erroneamente chamada de Templo de Diana, uma associação com a Deusa Romana da Caça.

A Biblioteca Pública de Évora é uma das mais antigas bibliotecas do País, com mais de 200 anos de existência e, tal como o Museu, foi criado por Frei Manuel do Cenáculo. Por aqui passaram ao longo dos anos vários dos autores de que falamos neste passeio e outros: Florbela Espanca, e Galopim de Carvalho, por exemplo.

Quando terminarem a visita ao largo podem ainda fazer uma visita ao Fórum da Fundação Eugénio de Almeida. Depois, queremos que sigam pelo Largo Dr. Mário Chicó – Rua da Freiria de Cima – Rampa de São Miguel – Largo dos Colegiais – Rua do Cardeal Rei.

Podem ainda fazer um pequeno desvio no Largo Drº Mário Chicó e ir espreitar a Janela da casa nº29 da Rua do Cenáculo. Conta-se que nessa casa residiu Garcia de Resende.

Uma vez na Rua do Cardeal Rei vão encontrar a Igreja do Espírito Santo e a Universidade de Évora, Colégio do Espirito Santo. Recomendamos que visitem ambas, mas o destaque é para a Universidade, onde podem ver os claustros e os maravilhosos painéis de azulejos. Também esta universidade foi frequentada por diversos autores, quer na atualidade quer no tempo em que ainda era o Liceu Nacional de Évora. Aqui deixamos falar novamente José Luís Peixoto:

“Ao mesmo tempo, a cidade é o passado, o presente e o futuro. Enquanto
estamos aqui, a cidade está aqui e está também em séculos antes de nós, nas vidas dos
pais infinitos dos nossos pais. Enquanto estamos aqui, a cidade está aqui e está também
em séculos depois de nós, nas vidas dos filhos infinitos dos nossos filhos. A cidade é a
forma como a vimos em cada uma das nossas idades: quando éramos crianças e
corríamos pelas ruas, quando acreditámos que nos apaixonávamos para sempre, quando
éramos velhos e nos sentíamos a envelhecer ainda mais. A cidade é ontem indistinto de
hoje indistinto de amanhã e, no entanto, é cada um desses dias únicos. A cidade é
absoluta.

José Luís Peixoto in
Évora ao espelho. Évora: Câmara Municipal de Évora, 2007, p. 15.

De seguida, para terminar este passeio, queremos que voltem ao Largo dos Colegiais e sigam pela Rua do Conde da Serra da Tourega. Irão ter ao Lardo da Porta de Moura. Aqui podem ver a Fonte da Porta de Moura, inaugurada em 1556 e que era abastecida pelo Aqueduto da Água de Prata.

Para terminar este passeio literário deixamos as palavras do nosso Prémio Nobel da Literatura José Saramago e de Eduardo Gageiro:

“Diz-se que a história certificada é só aquela que tiver sido passada a escrito, mas a história autêntica da colina de Évora e das suas cercanias, a história que não teve ninguém que a descrevesse, mas que nem por isso foi menos substancial, essa história ilegível, inscrita na superfície do tempo, é o alicerce mais profundo sobre o qual se edificou, destruiu e tornou a edificar a cidade. Até hoje. O próprio topónimo, Évora, quando o pronunciamos, quando nos detemos a escutá-lo, ressoa na nossa boca e nos nossos ouvidos como a memória de uma voz arcaica. Porque Évora é principalmente um estado de espírito, aquele estado de espírito que, ao longo da sua história, a fez defender quase sempre o lugar do passado sem negar ao presente o espaço que lhe é próprio, como se, com o mesmo olhar intenso que os seus horizontes requerem, a si mesma se tivesse contemplado e portanto compreendido que só existe um modo de perenidade capaz de sobreviver à precariedade das existências humanas e das suas obras: segurar o fio da história e com ele bem agarrado avançar para o futuro. Évora está viva porque estão vivas a suas raízes.”

José Saramago e Eduardo Gageiro, Évora, Património da Humanidade, 2a. ed.,
Évora: Câmara Municipal de Évora, 1997.

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