Afinal, o que faz um bibliotecário? [Parte 1]

Afinal, o que faz um bibliotecário ou #afinaloquefazumbibliotecario é uma tag que criámos nas redes socias para desvendar um pouco deste nosso trabalho no meio dos livros. É uma maneira de darmos a conhecer o que fazemos, pois sabemos que muitas pessoas ainda pensam que passamos o dia sentados numa secretária, a ler, e isso está muito longe da verdade.

Entretanto, esta tag tem sido falada apenas nas redes sociais, mas nós achamos que quem nos segue só pelo blog também tem direito de a ler, portanto… aqui fica! Mais virão, que isto é só as publicações feitas até ao dia de hoje…

(E qualquer coisa podem perguntar, que nós respondemos!)

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Afinal, o que faz um bibliotecário?

Continuam a estar aqui para si, em tempos de pandemia!

A Biblioteca Municipal Ferreira de Castro (Oliveira de Azeméis) realiza horas do conto online, que podem ficar a conhecer em https://www.facebook.com/…/a.12283424…/3563365413771172/

A Biblioteca Municipal Rocha Peixoto (Póvoa de Varzim) criou um Clube de Leitura Online, o Cais de Leitura. Espreitem, em https://www.facebook.com/…/a.22604097…/5052804768126613/

As Bibliotecas Municipais de Lisboa criaram uma actividade online que pretende dar a conhecer as Lendas de Portugal. Saibam mais no facebook das BLX em https://www.facebook.com/BibliotecasdeLisboa

A Biblioteca Municipal de Oliveira do Hospital faz leituras na rádio. Vejam em https://www.facebook.com/…/a.52999102…/1534347050103362/

A Biblioteca Municipal de Grândola desenvolveu com a Rádio Clube de Grândola um programa de informação cultural! Podem ver mais em https://www.facebook.com/Biblioteca-Municipal-de-Gr%C3%A2ndola-1123320044357451/photos/4088449714511121

A Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva em conjunto com a Planeta Tangerina organizam, para dia 9 de Fevereiro, um evento online sobre segurança na internet que podem conhecer em https://www.facebook.com/events/860820914460517/

E muito, muito mais!

Entretanto, a Biblioteca Pública Municipal da Guarda, a Biblioteca Municipal de Grândola, a Biblioteca Municipal Miguel Torga (Miranda do Corvo), a Biblioteca Municipal Rocha Peixoto (Póvoa do Varzim), as Bibliotecas de Loures e muitas outras continuam também a entregar livros ao domicílio!Para acompanharem mais sobre as bibliotecas deste país podem seguir a página da RNBP (Rede Nacional de Bibliotecas Públicas)!

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Afinal, o que faz um bibliotecário?

Cataloga!

Catalogar é registar o livro/documento recebido no catálogo da Biblioteca, para que seja pesquisável e se possa encontrar facilmente. Atualmente a catalogação é feita em sistemas informáticos (de que falaremos noutro dia) mas antigamente era feita manualmente em fichas como as que podem ver nas imagens e guardadas naquilo a que hoje chamamos catálogos manuais, como os destas fotos. As fichas e o catálogo variam de biblioteca para biblioteca.Eram habitualmente feitas pelo menos três fichas manuais para cada livro: uma que ia ficar no catálogo manual que estava organizado pelo nome do autor, outra pelo título e uma terceira para um catálogo em que se pesquisava por tema. As fichas eram depois arrumadas por ordem alfabética e quando era preciso… procurava-se 😉

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Afinal, o que faz um bibliotecário?

Arruma!

Enquanto bibliotecários ouvimos muitas vezes que andámos a tirar um curso para arrumar livros e que não era preciso nada disso. Bem, arrumar livros está bem longe de ser a única função de um bibliotecário, mas hoje vamos falar um pouco sobre esta tarefa.Ora, eu trabalho numa biblioteca com depósito legal, o que significa que por lei recebemos um exemplar de cada livro que é publicado em Portugal. Neste momento temos registados no programa mais de 188 000 livros, sendo que os fundos mais antigos não integram esta contagem. Por ano são publicados em Portugal cerca de 15 000 a 16 000 novos livros. Por isso esse é o número que temos de integrar na biblioteca todos os anos, sendo que não podemos tirar os mais antigos, uma vez que por lei não podemos fazer abates.Agora a arrumação em si. Temos, então, 188 000 livros para arrumar.Na minha biblioteca temos duas formas de arrumar os livros. Numa, os livros mais antigos que já não se encontram de acesso directo ao público, estão arrumados por um número sequêncial de seis digitos, seguindo a ordem do código de barras, que para eles é uma espécie de impressão digital. Cada qual tem o seu. Na outra, os livros que ainda estão de acesso ao público, seguimos a Classificação Decimal Universal, um dos métodos mais utilizados pelas bibliotecas na nossa parte do mundo. Aqui os livros são divididos em nove grandes classes (0, 1, 2, 3, 5, 6, 7, 8, 9), cada uma das quais se refere a uma/a várias áreas do conhecimento. Vamos usar para exemplo a classe 8, linguística e literatura, que para muitos de nós é a classe mais comum e mais fácil de tratar.A classe 8 divide-se, seguidamente, em três subclasses: 80 as questões gerais, 81 linguistica e línguas e 82 literatura. Por sua vez esses subclasses vão-se subdividindo mais e mais e mais até chegar ao assunto especifico de cada livro. Por exemplo sabemos que um romance histórico de um autor português é um 821.134.3-311.6 (literatura, literatura portuguesa, romance histórico), que um romance de um autor brasileiro seria 821.134.3(81)-31 e que um romance policial japonês seria 821.581-312.4Agora, a arrumação em si. Os livros são arrumados consoante as cotas atribuídas a cada um, mas essa arrumação também pode variar consoante a escolha da biblioteca. Por exemplo, antigamente tínhamos priorizado a arrumação por nacionalidade do autor, o que fazia com que todos os livros de autores ingleses estivessem juntos e só depois se seguissem os portugueses e só depois os japoneses (são exemplos, claro que há muitos mais). Entretanto, percebemos que a maioria dos leitores prefere procurar por género, então agora temos primeiro todos os romances (cotas terminados em -31), depois todos os romances históricos (cotas terminadas em -311.6) e depois todos os romances policiais (cotas terminadas em -312.4). Por sua vez, dentro de cada género, arrumamos pela nacionalidade do autor e depois pelas três primeiras do apelido do autor. Parece fácil, não é? 😉

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Afinal, o que faz um bibliotecário?

O Nuno Marçal de @opapalagui faz, sem dúvida, muita coisa. Conduz a Biblioteca Móvel de Proença-a-Nova. Leva às populações mais isoladas livros e revistas e por vezes medicamentos e outros bens essenciais. Tem uma máquina para pagamentos multibanco onde as pessoas podem pagar as suas contas, uma caixa de ferramentas e um estojo de primeiros socorros, uma parceria com a unidade móvel de saúde de Proença-a-Nova, um computador para uso e muita ajuda para dar a quem lha pede. Ah, e tem também um blog, que podem ver em O Papalagui

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Afinal, o que faz um bibliotecário?

Recebe, cataloga e empresta revistas! Na nossa biblioteca recebemos revistas por depósito legal!

O que é o depósito legal? A lei do depósito legal dita que todos os editores enviem um exemplar de tudo o que publicam para cada uma das bibliotecas abrangidas. Em Portugal, existem 11 bibliotecas com depósito legal. São revistas que nunca mais acabam 😂😅

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Afinal, o que faz um bibliotecário?

Nenhuma descrição de foto disponível.

Também faz planos de marketing!

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Afinal, o que faz um bibliotecário?

“Os livros desta sala foram todos limpos em Setembro 1904”
“Tornaram a ser limpos em 15 Abril 1912”
“Os livros desta “Sala de Leitura” foram começados a limpar em 15 de Fevereiro de 1943; e terminados em 23 de Outubro do mesmo ano”.
“Os livros desta Sala de Leitura foram retirados para limpeza e desinfestação entre 23 de Abril de 2019 e 31 de Julho de 2020. Durante este período foram realizadas obras de reabilitação do edifício da Biblioteca Pública de Évora”.

Em cerca de um ano e meio conseguimos desarrumar, enviar para a desinfestação, receber, limpar e arrumar 32 mil livros antigos (além de fazer todas as outras coisas).

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Afinal, o que faz um bibliotecário?

Também faz destaques bibliográficos! 😉

4 comments

  1. Eu há uns anos cataloguei os meus livros todos de acordo com a nomenclatura da Biblioteca Nacional.
    Inclusivamente, fazia fichas para os mesmos, de acordo com os mesmos procedimentos de qualquer biblioteca.
    Talvez seja por isso que os códigos que referes me são tão familiares.

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