Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, a 4 de Outubro de 1949. Foi um romancista, realizador, roteirista, jornalista e activista político chileno. Residia ultimamente em Gijón, em Espanha, após viver entre Hamburgo e Paris.
Sepúlveda venceu o Prémio Casa das Américas, o Prémio Eduardo Lourenço e vários outros. Escreveu mais de duas dezenas de obras literárias, algumas das quais verdadeiros sucessos. Da sua autoria, já falámos de O Velho Que Lia Romances de Amor.
Luis Sepúlveda foi diagnosticado a 29 de Fevereiro de 2020 com COVID-19, tornando-se o primeiro caso diagnosticado com a doença nas Astúrias e acabou por falecer a 16 de Abril de 2020.
Algumas das suas obras:
O Velho Que Lia Romances de Amor
Antonio José Bolívar Proaño vive em El Idilio, um lugar remoto na região amazónica dos índios shuar, com quem aprendeu a conhecer a selva e as suas leis, a respeitar os animais que a povoam, mas também a caçar e descobrir os trilhos mais indecifráveis. Um certo dia resolve começar a ler, com paixão, os romances de amor que, duas vezes por ano, lhe leva o dentista Rubicundo Loachamín, para ocupar as solitárias noites equatoriais da sua velhice anunciada. Com eles, procura alhear-se da fanfarronice estúpida desses “gringos” e garimpeiros que julgam dominar a selva porque chegam armados até aos dentes, mas que não sabem enfrentar uma fera a quem mataram as crias.
História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar
Esta é a história de Zorbas, uma gato grande, preto e gordo. Um dia, uma formosa gaivota apanhada por uma maré negra de petróleo deixa ao cuidado dele, momentos antes de morrer, o ovo que acabara de pôr. Zorbas, que é um gato de palavra, cumprirá as duas promessas que nesse momento dramático lhe é obrigado a fazer: não só criará a pequena gaivota, como também a ensinará a voar. Tudo isto com a ajuda dos seus amigos Secretário, Sabetudo, Barlavento e Colonello, dado que, como se verá, a tarefa não é fácil, sobretudo para um bando de gatos mais habituados a fazer frente à vida dura de um porto como o de Hamburgo do que a fazer de pais de uma cria de gaivota…
Com a graça de uma fábula e a força de uma parábola, Luis Sepúlveda oferece-nos neste seu livro já clássico uma mensagem de esperança de altíssimo valor literário e poético.
História de um Caracol que Descobriu a Importância da Lentidão
Os caracóis que vivem no prado chamado País do Dente-de-Leão, sob a frondosa planta do calicanto, estão habituados a um estilo de vida pachorrento e silencioso, escondidos do olhar ávido dos outros animais, e a chamar uns aos outros simplesmente «caracol». Um deles, no entanto, acha injusto não ter um nome e fica especialmente interessado em conhecer os motivos da lentidão. Por isso, e apesar da reprovação dos outros caracóis, embarca numa viagem que o vai levar ao encontro de uma coruja melancólica e de uma tartaruga sábia, que o guiam na compreensão do valor da memória e da verdadeira natureza da coragem, e o ajudam a orientar os seus companheiros numa aventura ousada rumo à liberdade.
Patagónia Express
Homenagem a um comboio que já não existe, mas que continua a viajar na memória dos homens e mulheres da Patagónia, estes «apontamentos de viagem» – como lhes chamou Luis Sepúlveda – tornaram-se um dos livros de referência do grande autor chileno. Desde os seus primeiros passos na militância política, que o levaram à prisão e depois ao exílio em diferentes países da América do Sul, até ao reencontro feliz, anos depois, com a Patagónia e a Terra do Fogo, é uma longa viagem (e uma longa memória) aquela que Luis Sepúlveda nos propõe neste seu livro. Ao longo dele, confrontamo-nos com uma extensa galeria de personagens inesquecíveis e com um conjunto de histórias magníficas, daquelas que só um grande escritor é capaz de arrancar aos labirintos da vida.
Diário de um Killer Sentimental
Um killer profissional prepara-se para cumprir mais um «contrato», mas a sua missão é sucessivamente comprometida. Motivo: a entrada em cena de uma femme fatale…
Dany Contreras, agente da polícia agora inspector de uma companhia de seguros, ao investigar a morte de um importante cliente, vai perceber que um dardo letal disparado do Pantanal amazónico pode chegar a qualquer parte do mundo…
George Washington Caucamán, um detective oriundo da Patagónia transferido para Santiago do Chile, vai deparar-se com um enigmático cliente de uma hotline…
Com estas três «novelas negras», Luis Sepúlveda, que milhares de leitores já elegeram como o mais «português» dos escritores latino-americanos, regressa ao género policial que já havia abordado com sucesso em Nome de Toureiro.
As Rosas de Atacama
Um dia, no campo de concentração de Bergen Belsen, na Alemanha, Luis Sepúlveda encontrou gravada numa pedra uma frase de autor anónimo que dizia: «Eu estive aqui e ninguém contará a minha história.» Essa frase trouxe-lhe à memória toda uma galeria de personagens excecionais que havia conhecido e cujas histórias mereciam ser contadas. Assim nasceu o presente livro, As Rosas de Atacama. «Histórias marginais» (aliás o título da edição original espanhola), e também histórias de marginais, os relatos que compõem esta obra têm todos os ingredientes a que Luis Sepúlveda habituou os seus leitores: a defesa da vida e da dignidade humana, a luta pela justiça, o elogio dos valores ecológicos, o exotismo como afirmação de que os sonhos são os mesmos em todos os lugares da Terra. Como em todos os livros de Sepúlveda, também neste a realidade supera a ficção.
A Venturosa História de Usbeque Mudo
É sabido que a juventude é o tempo dos grandes ideais, das grandes lutas, mas também do pensamento positivo, das noitadas de copos com os amigos e da inquietação sentimental. Os jovens sul-americanos da década de 1970 não foram excepção. Nestas histórias romanceadas, Luis Sepúlveda relata o passado e os sonhos de uma geração, mas através da lente do amor e dos afectos, assim diluindo as tensões e trazendo a lume, intactas, as paixões avassaladoras e o entusiasmo de uma juventude militante.