Levaram Annie Thorne – C. J. Tudor

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“Nunca voltes atrás. É o que nos estão sempre a dizer. As coisas terão mudado. Não serão como te recordas. Deixa o passado no passado. É claro que esta última é mais fácil de dizer do que de fazer. O passado tem o hábito de se repetir em nós. Como o cheiro a peixe podre. Não quero voltar atrás. Não quero mesmo. Há coisas mais importantes na minha lista de desejos, tal como ser comido vivo por ratazanas ou participar numa dança folclórica. É essa a vontade que tenho de voltar a ver a merda do sítio onde cresci. Só que por vezes não há alternativa, excepto a alternativa errada.”

“Não acredito no destino. Mas acredito que há coisas que nos estão inculcadas nos genes. Estamos programados para agir e reagir de uma certa maneira, e é isso que molda a nossa vida. Não podemos mudar essas coisas, da mesma maneira que não alteramos a cor dos olhos ou a propensão para ficar com sardas quando nos expomos ao sol.”

“As pessoas costumam dizer que o tempo cura tudo. Estão enganadas. O tempo só apaga. Rola e rola sem cessar, a apagar as nossas recordações e a desbastar os grandes penedos da desgraça, até que nada deles reste além de pequenos fragmentos aguçados, ainda dolorosos mas suportáveis. Os corações quebrados não se recompõem. O tempo limita-se a triturar-lhes os pedaços até os reduzir a pó.”

 

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C. J. Tudor nasceu em Salisbury, no Reino Unido, em 1972. Saiu da escola com 16 anos e teve diversos empregos ao longo do tempo, como passear cães. Tentou durante mais de uma década publicar um livro, mas foi constantemente rejeitada pelas editoras. Em 2018 conseguiu finalmente publicar o seu primeiro livro, O Homem de Giz, que foi um sucesso estrondoso, encantou leitores um pouco por todo o mundo e se encontra traduzido em diversas línguas.

Levaram Annie Thorne é a sua segunda obra, aguardada com muita expectativa pelos fãs que criou. Nesta obra conhecemos Joe Thorne, um professor de meia idade que, na adolescência, viu a sua irmãzinha de 8 anos, Annie, desaparecer sem deixar rasto. Annie volta passado alguns dias, sem saber dizer o que lhe aconteceu mas…já não é a mesma.

Resultado de imagem para o homem de gizEu li o Homem de Giz e adorei, entrou inclusive para a minha lista de livros preferidos. Por isso sou uma daquelas pessoas que estava ansiosa para ler esta obra, e com as expectativas bem altas. Não me decepcionei.

No que toca à escrita, não sei se será impressão minha mas notei uma ligeira melhoria de o Homem de Giz para o Levaram Annie Thorne. Não é nem a nível de linguagem ou gramática, é como se a autora se tivesse sentido mais à vontade, menos presa, ao escrever esta obra.

A minha maior surpresa foi o enredo em si. Em O Homem de Giz, apesar de haver fortes nuances de paranormal, no fim tudo aconteceu por mãos humanas. Mãos vivas humanas. Não havia nada de realmente mágico ou assombroso ali, era um thriller muito terra à terra, mas isso era algo que não se percebia logo de início. Por isso eu pensava que Levaram Annie Thorne também seria assim.

Mas não foi. Em Annie Thorne as nuances de paranormal não são apenas nuances e não se revelam no fim como sendo apenas uma engenhosa trama feita por vivos. O paranormal existe mesmo, está mesmo lá, não é uma ilusão. Para os fãs dos policiais mais realistas isso talvez possa ser uma desilusão. Eu pessoalmente adorei. Este livro dava um filme de terror excepcional!

Acrescento que, na “orelha” do livro, é dito que a autora é fã de Stephen King e James Herbert. E de facto esta obra faz lembrar imenso obras como It – A Coisa e Samitério de Animais.

Nesta obra fantasia e realidade misturam-se de uma maneira incrível. Apesar de toda a questão do paranormal que existe também não faltam as questões mais humanas, como dividas, chantagens, mortes, dores, paixões. É uma trama intrincada e a autora consegue não deixar pontas soltas no fim, o que nem sempre acontece com histórias com tantos detalhes. O livro devora-se, eu li a obra de uma ponta a outra em um dia, é tão empolgante que não conseguia parar. É um daqueles livros que viciam e deixam o leitor colado às suas páginas e a querer mais quando termina, a roer as unhas de expectativa!

As personagens são complexas, reais e fortes. Para um livro que fala sobre o desaparecimento de Annie Thorne, na minha opinião, só faltou falarem um pouquinho mais sobre Annie. Mas nada que tire valor à história. O que lhe aconteceu conseguiu surpreender até certo ponto, mas não é, nem de perto, a única (ou a melhor) surpresa no enredo desta história.

Um livro muito recomendado!

5*

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