Todas as Cores do Vento – Miguel Miranda

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“Por mais que o vento me doa e a chuva me trespasse, ardo numa figueira de sentimentos, condenado à poesia. Que Santo Ofício é este, onde me imolo por amor? É no hipotálamo que se geram todas as emoções, dizem os que não acreditam na paixão, apenas na Ciência. Que me interessa onde se ateou primeiro este fogo posto? O que importa é o resultado final, a desapiedada cremação das amarras corporais que me tolhem a poesia.”

“Para um poeta, o tempo deforma-se na razão inversa do clímax: quanto mais perto, mais longe. “Num minuto se ganha ou se perde vida, paixão, fortuna ou felicidade. A importância de um minuto não é superior a sessenta segundos. O tempo é apenas uma convenção, se todos os relógios suspendessem a sua marcha e o tempo deixasse de existir, a paixão seria eterna, esperar deixaria de fazer sentido e desesperar ainda menos.”

 

Imagem relacionadaMédico de profissão, Miguel Miranda nasceu no Porto em 1956. Publicou até ao momento várias obras, entre elas romances, contos, policiais e literatura infanto-juvenil. Já foi traduzido e publicado em Itália e França. Foi vencedor do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco (Associação Portuguesa de Escritores) em 1996 com o livro Contos à Moda do Porto, do prémio Caminho de Literatura Policial em 1997 com o livro O Estranho Caso do Cadáver Sorridente, do Prémio Fialho de Almeida SOPEAM em 2011 e em 2013 com os livros A Maldição do Louva-a-Deus, e Todas as Cores do Vento. Foi também finalista do prémio PEN de Narrativa em 2012 com o livro Todas as Cores do Vento e do Prémio Violeta Negra de Literatura Policial 2014 do Festival Literário de Toulouse, com o livro Donnez Leur, Seigneur, le Repos Etérnel.

Este livro já fazia partir da minha wishlist há algum tempo e foi o achado do ano na feira do livro de Lisboa. Conta a sinopse que é a história de cada um dos habitantes de um prédio, onde mora um poeta, um judeu ortodoxo, um palestiniano, uma testemunha de Jeová, uma mulher agnóstica e um gato que será a testemunha de tudo o que por lá se passa. Os habitantes deste prédio são o mais dispares entre si que se poderia imaginar!

A minha primeira opinião, é que esperava que o gato tivesse um papel mais importante na história. No fim de contas só dei por ele lá pelo nono capítulo, mais coisa menos coisa. Mas nada muito importante.

O livro é de leitura fácil, lê-se de um trago em menos de nada. As personagens variam entre o ligeiramente caricato e o bastante realista. E afinal de contas não seremos todos nós ligeiramente caricatos mesmo?

Leve mas ainda assim uma leitura que fala de assuntos pesados, não nos impressiona violentamente mas deixa lá bem no fundo de nós uma pequena interrogação. É um daqueles livros que não se esquece de um momento para o outro, que fica a remoer-nos o estômago e a mente, que nos faz sentir mal por nós mesmos e pelos outros. Um livro que nos faz interrogar que mundo é este onde viemos parar. E que, ainda assim, nos traz uma mensagem de esperança.

Sentimo-nos quase que como um vizinho cusco, espreitando a vida destas personagens à superfície sem nunca nos aprofundarmos realmente. O autor dá-nos a conhecer tudo o que precisamos realmente de conhecer mas nada mais.

Foi uma leitura bastante agradável e foi mesmo o que estava a precisar de momento.

Livro recomendado!

4*

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