Os Inícios de Livros Mais Impactantes

O post de hoje é, na minha opinião, um dos mais divertidos dos últimos tempos e um dos que mais prazer me deu fazer. Aqui resolvi seleccionar e trazer os inícios de livros mais impactantes que conheço. Alguns já li, outros estão na minha lista de “Para ler”.

Afinal, enquanto leitores, todos sabemos que um livro que nos agarra logo na primeira frase têm tudo para nos agarrar até ao fim. Por isso, os livros que vos vou apresentar hoje já levam um ponto de vantagem! Querem saber quais são?

 

A Metamorfose – Franz Kafka

Wook.pt - A Metamorfose

“Quando numa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos inquietos, viu-se na cama transformado num monstruoso insecto.”

Haverá um início mais icónico do que o de A Metamorfose de Franz Kafka?  Nesta obra conhecemos Gregor Samsa que, tal como podemos ler na frase anterior, certo dia acordou transformado num monstruoso insecto. Um inicio que é, só por si, o êxtase de toda a obra. Um livro que é um verdadeiro clássico da literatura universal e uma dura critica à sociedade.

 

Lolita – Vladimir Nabokov

Wook.pt - Lolita

“Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua faz uma viagem de três passos pelo céu-da-boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã, um metro e trinta e dois a espichar dos soquetes; era Lo, apenas Lo. De calças práticas, era Lola. Na escola, era Dolly. Era Dolores na linha pontilhada onde assinava o nome. Mas nos meus braços era sempre Lolita.”

Lolita, quem nunca ouviu falar de Lolita? Este começo tem tanto de belo como de sórdido: soa a história de amor, mas a história que o segue não tem nada de romântico. É um dos livros mais pesados e difíceis de ler que conheço, não pela escrita em si mas pelo tema: fala-nos de pedofilia. Aqui conhecemos a história de Humbert vista pelos seus próprios olhos. Humbert é um professor e Lolita a sua enteada de apenas 12 anos. Ele quer fazer com que o leitor acredite que a sua história é uma história de amor. Acreditava?

 

Ana Karenina – Lev Tólstoi

Resultado de imagem para ana karenina

“Todas as famílias felizes se parecem,
cada família infeliz é infeliz à sua maneira.”

Ana Karenina parece ter tudo – beleza, dinheiro, popularidade e um filho adorado. Mas sente um vazio na sua vida até ao momento em que conhece o arrebatador conde Vronsky. A relação que em breve se inicia entre ambos escandaliza a sociedade e a família, e traz no seu encalce ciúme e amargura.
Em contraste com esta história de amor e autodestruição, encontramos Konstantin Levin, um homem em busca da felicidade e de um sentido para a sua vida.  Um livro que ainda não li, mas que faz parte dos meus planos, sem dúvida.

 

 

Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Márquez

Wook.pt - Cem Anos de Solidão

“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo.”

Um homem está diante de um pelotão de fuzilamento, prestes a morrer, e em que é que pense? Na tarde em que o pai o levou a conhecer o gelo. Se isso não deixa o leitor curioso para ler o resto da história, então, não sei o que deixa.
Em Cem Anos de Solidão, a mais aclamada obra do fantástico Gabriel García Márquez, conhecemos a história da família Buendía-Iguarán e dos seus milagres, fantasias, obsessões, tragédias, incestos, adultérios, rebeldias, descobertas e condenações. Uma obra que é já um marco da literatura latino-americana.

 

Moby Dick – Herman Melville

Wook.pt - Moby Dick

“Chamem-me simplesmente Ismael. Aqui há uns anos não me peçam para ser mais preciso — tendo-me dado conta de que o meu porta-moedas estava quase vazio, decidi voltar a navegar, ou seja, aventurar-me de novo pelas vastas planícies líquidas do Mundo. Achei que nada haveria de melhor para desopilar, quer dizer, para vencer a tristeza e regularizar a circulação sanguínea. Algumas pessoas, quando atacadas de melancolia, suicidam-se de qualquer maneira. Catão, por exemplo, lançou-se sobre a própria espada. Eu instalo-me tranquilamente num barco.”

O capitão Ahab quer vingar-se da baleia que o mutilou. A baleia é Moby Dick, um ser gigantesco, o terror dos baleeiros. E este é mais um grande clássico da literatura, um dos mais importantes romances que existem. Um livro que foi revolucionário na sua época, que nos fala da beleza e da tragédia do ser humano,  e de uma vingança sem sentido. A luta do homem contra si próprio e contra a natureza. E, claro, sobre a inevitável derrota. Um livro para ler e reler, muitas vezes.

 

O Estrangeiro – Albert Camus

Wook.pt - O estrangeiro

“Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentimos pêsames’. Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem”

O Estrangeiro é um livro pequeno e…peculiar. Meursault recebe um telegrama: a mãe morreu. De regresso a casa após o funeral, enceta amizade com um vizinho de práticas duvidosas, reencontra uma antiga colega de trabalho com quem se envolve, vai à praia – até que ocorre um homicídio. Lançada em 1942, esta obra foi traduzida em mais de quarenta línguas e e adaptada ao cinema em 1967. Um livro que promete surpreender.

 

Harry Potter e a Pedra Filosofal – J. K. Rowling

Wook.pt - Harry Potter e a Pedra Filosofal

“O senhor e a senhora Dursley que moram no número quatro de Privet Drive, sempre afirmaram, para quem os quisesse ouvir, ser o mais normal que é possível ser-se, graças a Deus. Seriam as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em coisas estranhas ou misteriosas até porque, pura e simplesmente, não acreditavam nesses disparates.”

Ora quem não acredita nesses disparates têm sempre mais tendência a tropeçar neles e o leitor fica logo de olho. Esta saga juvenil é conhecida de todos nós, criou gerações de destemidos leitores e já é  quase considerada um clássico infanto-juvenil. Em parte, isso também se deve a este princípio que agarra os jovens leitores pela curiosidade. Eu ainda sei estas linhas de cor, de tanta vez que reli este livro quando era mais nova.

 

História de Duas Cidades – Charles Dickens

Wook.pt - História em Duas Cidades

Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos, foi a era da sabedoria, foi a era de tolices, foi a era de fé, foi a era da incredulidade, foi a temporada da Luz, foi a temporada das Trevas…

Mais um clássico, talvez porque os clássicos têm de ter uma qualidade bem comprovada para o serem e isso inclui um bom inicio de história. Na obra História em Duas Cidades, Charles Dickens fala-nos sobre a revolução francesa, sobre Londres e sobre Paris. Um reviver de história, um olhar sobre o passado e, quem sabe, uma metáfora.

2 comments

  1. Boas escolhas a que fizeste.

    Para além das que escolheste, juntava mais duas:

    Intermitências da Morte de “José saramago”: No dia seguinte ninguém morreu!

    Rebecca de “Daphne Du Maurier”: “Sonhei, a noite passada, que voltara a Manderley”

    O início dos livros é algo fundamental e um truque que muitos autores utilizam. Há que colocar logo a semente para cativar o interesse do leitor e de facto há obras cujo o início logo nos agarra.

    Liked by 1 person

    • Um truque que resulta.
      O Saramago também é muito bom nos começos de livros, não sei como nem me lembrei dele :O
      O Rebecca sinceramente não conheço…

      Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s