Gabriel García Márquez [Autor do Mês]

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Gabriel García Márquez e Mercedes Barcha em 1969

“No início de 1966, Gabriel Márquez e Mercedes foram aos correios enviar o manuscrito terminado de Cem Anos de Solidão para Buenos Aires. Pareciam dois sobreviventes de uma catástrofe. O embrulho continha 490 páginas dactilografadas. O funcionário que estava ao balcão disse: “Oitenta e dois pesos.” García Márquez observou Mercedes a procurar o dinheiro na carteira. Tinham apenas 50 pesos, e só puderam enviar cerca de metade do livro: García Márquez pediu ao homem que estava do outro lado do balcão para tirar folhas como se fossem fatias de toucinho fumado, até os cinquenta pesos serem suficientes. Voltaram para casa, empenharam o aquecedor, o secador de cabelo e o liquidificador, regressaram aos correios e enviaram a segunda parte. Ao saírem dos correios, Mercedes parou e voltou-se para o marido: “Hei, Gabo, agora só nos faltava que o livro não prestasse.” “

In Gabriel García Márquez: Uma Vida
de Gerald Martin

 

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Gabriel Eligio García e Luisa Santiaga Márquez no dia do casamento

Gabriel García Márquez nasceu a 6 de Março de 1927 em Aracataca, na Colômbia. Era filho de Gabriel Eligio García e de Luisa Santiaga Márquez, que tiveram ao todo onze filhos. Foi criado até aos oito anos pelos seus avós maternos Tranquilina Iguarán e o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía. Nicólas  era um veterano da Guerra dos Mil Dias, travada no virar do século, e um dedicado apoiante do partido liberal da Colômbia.
Nicolás e Tranquilina eram ambos filhos ilegítimos de um dos pais e netos da mesma avó, ou seja, primos. Vista como incesto, o maior receio desta relação terá sido o pecado ou que um dos filhos nascesse com cauda de porco, como agourava a “sabedoria” popular. Pelo que se sabe, tal nunca viria a suceder…

 

Quando o avô faleceu Gabo acabou por ir viver com os pais, que entretanto se tinham mudado para  Barranquilla.

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Gabriel García Márquez em criança

Gabriel estudou em Barranquilla e no Liceu Nacional de Zipaquirá. Na infância e adolescência era fã das histórias da sua avó e de livros. Gostava sobretudo da Metamorfose, de Kafka, pela situação inusitada em que se encontra Gregor Samsa,  de Luz em Agosto e de As Aventuras de Huckleberry Finn.

Em 1947 começa a estudar direito e ciências políticas na Universidade Nacional da Colômbia mas não termina o curso e parte então para Cartagena das Índias, também na Colômbia, onde começa a trabalhar como jornalista. Mais tarde viria a interessar-se por cinema e chegou mesmo a trabalhar como director. Em 1950, estudou no Centro Experimental de Cinema em Roma e chegou a participar em alguns filmes como Juego peligrosoPresságioErendira, entre outros. Fundou ainda em 1986 a Escola Internacional de Cinema e Televisão em Cuba, para apoiar a carreira de jovens da América Latina, Caribe, Ásia e África.

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Mercedes Barcha

A sua obra mais romântica, O Amor nos Tempos de Cólera, tem como dedicatória “Para Mercedes, é claro”. Claro. A história do amor à primeira vista de Gabo e Mercedes é bonita e inspiradora, mas nem sempre foi fácil. Também eles viram impedimentos e oposições, tal como Florentino e Firmina de O Amor nos Tempos de Cólera. Casaram-se a 21 de Março de 1958, um casamento que havia de durar 56 anos, até à morte do escritor. 

Gabriel foi vitima do cancro, deixou de escrever em 2009, por iniciativa própria, foi noticiado em 2012 que tinha sido diagnosticado com demência e acabou por falecer a 17 de Abril de 2014 na Cidade do México, vitima de uma pneumonia.

As suas obras começam a surgir ao público nos anos 50, mas só a partir dos anos 60/70 a sua fama chega à Europa. Foi o vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1982. Ao aceitar o prémio ele disse ser de uma linhagem de “inventores de fábulas que acreditam em tudo”, que sentem “o direito de acreditar que ainda não é demasiado tarde para nos lançarmos na criação da utopia contrária. Uma nova arrasadora utopia da vida, onde ninguém possa decidir pelos outros até mesmo a forma de morrer, onde de verdade seja certo o amor e seja possível a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham, enfim e para sempre, uma segunda oportunidade sobre a terra.”

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Gabriel García Márquez

Gabriel é, provavelmente, o mais reconhecido escritor do “Terceiro Mundo”. A sua reputação é inigualável. As suas obras inserem-se no realismo mágico, um estilo literário que fica entre a realidade e a fantasia, as experiências reais e os sonhos, tocando nos dois mundos.

Obras

  • A Revoada (O Enterro do Diabo) (La Hojarasca) (1955)
  • Relato de um náufrago (1955)
  • Ninguém escreve ao coronel (1961)
  • Os funerais da mamãe grande (1962)
  • A sesta de terça-feira (1962)
  • Má hora: o veneno da madrugada (1962)
  • Cem anos de solidão (1967)
  • A última viagem do navio fantasma (1968)
  • Um senhor muito velho com umas asas enormes (1968)
  • A incrível e triste história de Cândida Eréndira e sua avó desalmada (1972)
  • Olhos de cão azul (1972)
  • O outono do Patriarca (1975)
  • Maria dos prazeres (1979)
  • Crónica de uma morte anunciada (1981)
  • Textos Caribenhos (1948-1952) – Obra Jornalística – Volume 1 (1981)
  • Textos Andinos (1954-1955) – Obra Jornalística – Volume 2 (1982)
  • Cheiro de goiaba (1982)
  • Da Europa e da América – (1955-1960) – Obra Jornalística – Volume 3 (1983)
  • Reportagens Políticas (1974-1995) – Obra Jornalística – Volume 4 (1984)
  • O Amor nos tempos de cólera (1985)
  • O verão feliz da senhora Forbes (1986)
  • A aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile (1986)
  • O general em seu labirinto (1989)
  • Crónicas (1961-1984) – Obra Jornalística – Volume 5 (1991)
  • Entre amigos (1990)
  • Doze contos peregrinos (1992)
  • Do amor e outros demónios (1994)
  • Notícia de um Sequestro (1996)
  • Como contar um conto (1998)
  • Viver para contar (2002)
  • Memória de minhas putas tristes (2004)
  • Eu não vim fazer um discurso (2010)

2 comments

  1. Um dos meus autores de sempre.

    Não li todas as suas obras, mas já li as mais emblemáticas e efectivamente há uma que sobressai e que, curiosamente, detestei aquando da primeira leitura: Cem Anos de Solidão.

    Mas é uma obra impar, uma pérola da literatura universal.

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    • Quero muito ler o Cem anos de solidão, mas é um livro que quero ler da minha estante, ando a ver se o compro. Mais dia menos dia aparece por aqui 😉

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