Remédios Literários de Ella Berthoud e Susan Elderkin

Biblioterapia é muitas vezes definida como a “utilização de livros por parte de comunidades com perturbações.” Eu não iria tão longe. Definiria-a como a utilização de livros para melhorar o bem estar físico e psicológico, aumentar o auto-crescimento e evitar perturbações que possam surgir.

Ao contrário do que se possa pensar, a Biblioterapia não é uma coisa recente. Na Grécia Antiga, as bibliotecas eram consideradas o local onde se exercia “a medicina da alma”; no Egipto as bibliotecas ficavam situadas junto a templos, para que os escribas pudessem aproveitar os “remédios da alma”; Na Idade Média, a leitura dos livros sagrados era frequentemente aplicada como terapia e a leitura de textos sagrados durante cirurgias era prática comum; durante a 1ª Guerra Mundial “a biblioterapia é aplicada por bibliotecários leigos que, ao serviço da Cruz Vermelha, ajudam à construção de bibliotecas nos hospitais do exército para, com os livros, auxiliar na recuperação do grande número de vítimas de uma guerra extremamente desgastante e mortífera”. Mas apenas em 1916 surge o termo Biblioterapia, pela mão de Samuel Crothers.

Os benefícios de uma boa leitura são muitos e não só a nível de vocabulário. É uma forma de desanuviar, diminui os níveis de stress, acalma, cria empatia e diminui a sensação de isolamento. A leitura adequada, no momento adequado pode, sem dúvida, fazer a diferença na vida de alguém.

Mas é preciso saber reconhecer os limites.

Este livro vem em género de enciclopédia. Por ordem alfabética de maleita, recomenda remédios literários para tudo, até para quando se bate com o dedo do pé nos móveis. Se dói? Dói sim senhora. Se eu acho que isso se cura com um livro? Obviamente que não.

Sim, eu percebo que a ideia é ser um livro engraçado. Humor, humor, humor. Rir é o melhor remédio e isso tudo. Mas recomendar um livro como remédio para uma qualquer doença? Não.

Temos visto ultimamente o surgimento de alguns “Biblioterapeutas”. Mas a verdade é que a maioria deles não passa de pessoas com algum conhecimento em livros, que resolvem usar esse conhecimento para ganhar dinheiro. Pasmem-se, uma consulta de biblioterapia pode chegar às centenas de euros!

Em que consiste uma dessas consultas, perguntam vocês. De certa forma, é uma imitação de uma consulta com um psicólogo. Falar, desabafar e, no fim, são receitados à pessoa um ou vários livros com o objectivo de ajudar a resolver a situação.

Mas há que ter atenção. A maioria dessas consultas (se não todas) são efectuadas por pessoas sem qualquer formação na área da saúde. Não são psicólogos, psiquiatras, nem sequer é um tipo de medicina alternativa. E brincar com a saúde mental (ou mesmo física) das pessoas pode ser perigoso. Quem me garante a mim que alguém, num momento de menos inspiração, não “receita” a uma pessoa deprimida uma obra que termina em suicídio? Ou a uma pessoa com tendências antissemitistas o Mein Kampf?

O que quero dizer é que a partilha de leituras e o aconselhamento de livros é uma coisa boa sim, mas de forma informal. Entre amigos, nas bibliotecas, com grupos de leitores e coisas desse género. Chega até a ser saboroso.

Mas como negócio é intrujice, como medicina é uma medicina de vão de escada. E pode tornar-se perigosa.

Quanto a este livro, eu tentei lê-lo durante cerca de 15 minutos. Depois desisti. É uma completa sensação de tempo desperdiçado, com tantos livros bons que há para ler, estar a tentar ler um livro tão completamente inútil.

Por isso, apelo. Não caiam na intrujice. Se querem conselhos sobre livros, falem com familiares e amigos. Vão às bibliotecas, falem com leitores e bibliotecários, espreitem as prateleiras e os destaques. Vejam blogs, o youtube. Mas não paguem pequenas fortunas para encher os bolsos a terapeutas de vão de escada, que não vos vão ajudar mais do que as opções anteriores iriam. Mais vale gastar esse dinheiro em livros! 😉

A Biblioterapia pode sim ser uma coisa boa, desde que feita com princípios. Honesta com as suas limitações, não é um processo de cura – um psicólogo é! Serve sim, para melhorar a nossa vida, mas apenas em alguns aspectos. Ela, sozinha, não nos cura dos fantasmas do passado nem dos medos do futuro. Não destrói traumas nem nos ensina a amar a vida se nós a odiarmos.  Faz bem, mas precisa de companhia, se os problemas forem minimamente relevantes.

E não cura, obviamente, dedos espancados! 😉

Boa leituras!

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