A Ilha Debaixo do Mar – Isabel Allende

“A música é um vento que leva os anos, as recordações e o temor, esse animal agachado que tenho dentro de mim. Com os tambores desaparece a Zarité de todos os dias e volto a ser a criança que dançava quando ainda mal sabia caminhar. Bato no chão com as plantas dos pés e a vida sobe-me pelas pernas, percorre-me o esqueleto, apodera-se de mim, tira-me os desgostos e adoça-me a memória. O mundo estremece. O ritmo nasce na ilha debaixo do mar, sacode a terra, atravessa-me como um relâmpago e sobe ao céu levando os meus pesares”

 

Este livro conta-nos a história de Zarité, uma escrava em finais do séc. XIII, e de todos os que a rodeiam. O amo, Toulouse Valmorain, um fazendeiro rico que a comprou aos nove anos. A sua frágil esposa Eugénia e o filho, Maurice. A fantástica Viollete Boisier. Parmentier, Relais, Rose…

Ler Isabel Allende é sempre uma garantia de que vamos ler algo fantástico. Eu pessoalmente não acho que seja uma leitura fácil, costumo demorar imenso a ler os livros dela. Mas é uma leitura imensamente saborosa.

As personagens são sempre extremamente reais, pessoas como qualquer um de nós e, mesmo assim, com um toque de diferença e peculiaridade. Únicas e fantásticas, credíveis e, muitas vezes, místicas.

E, mesmo assim, são histórias que tratam de temas tremendamente importantes e terra a terra.

Este livro é fantástico, maravilhoso, quase poético. E é sobre a escravatura, um tema tão duro e pesado e de que tão pouco nos lembramos. É um livro capaz de nos causar um aperto no peito, de nos fazer ficar (a nós, brancos) de consciência culpada. As personagens são daquelas que nos ficam na memória, mesmo passado muito tempo da leitura, e isso não é fácil.

Livro muito recomendado!!!

Livro na Wook

5 comments

  1. Há uns anos li todas as obras, até à altura, de Allende.
    Gostava muito, mas depois ela enveredou por um género de fantasia, que se iniciou com o romance “O reino do dragão de ouro” e deixei de a ler.
    Se não leste, aconselho “Paula” , “Filha da fortuna” e “Casa dos Espiritos”.

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    • Não és a primeira pessoa a dizer-me isso, mas acho que ainda não li nenhum dos “novos livros” dela, desses que dizem ter um estilo muito diferente. Um dia destes tenho de experimentar, mais não seja para ver essa diferença de que tanto falam. Desses que recomendas só ainda não li Filha da Fortuna. A Casa dos Espíritos, é um daqueles livros que não sai da minha estante 😉

      Já agora, que tal correu o estágio?

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      • O Estágio?
        Trabalho escravo e sem nada de CNC.
        Por outro lado e como eles agora querem “atitude”, o feedback foi excepcional (tive uma nota de 18,2) e estou a aguardar que me enviem proposta que suoostamente farão até final do mês.
        Vamos ver.

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