História do Repouso
Alain Corbin
Livro Físico
O descanso não é sono, nem imobilidade, nem uma solução para a fadiga – mas um momento em que o ser humano se reconstrói, caminha, esquece, encontra um lugar apenas seu.
Durante muito tempo o repouso foi relegado para a «vida eterna», depois da morte e de um destino obediente e conformado. Mas tudo mudou com o século XIX, tornando-se também uma necessidade terapêutica – e um convite ao lazer, com a sua indústria organizada e lucrativa.
Nos dias de hoje, o tempo de lazer ocupa o tempo livre, invade o espaço humano, cria novas formas de dependência e de cumprimento de horários. Erradamente, não falamos mais de descanso, mas de momentos de relaxamento, diversão e evasão, o que equivale a substituir a fadiga por mais tensão, mais tarefas, mais disciplina e mais consumo.
Alain Corbin, um dos investigadores mais originais de hoje (publicou livros sobre a história do silêncio, da erva fresca, da sombra, da ignorância, dos sinos ou da relação com o mar e o céu), convida-nos a refletir sobre a nossa relação com o trabalho, com a fadiga e com o tempo que temos disponível para viver.
[Sinopse de wook.pt]
O Adorno tem um texto intitulado “Tempo livre”. Acho um texto terrível, daqueles que geram uma sensação de impotência, porque, resumindo bem porcamente, o autor demonstra que tempo livre (ou de lazer) não existe, ele nada mais é do que uma extensão do trabalho. Não há que falar em tempo livre no mundo moderno -que dirá no contemporâneo! Me interessei por esse que você resenhou, até para comparar com o de Adorno.
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