Os Testamentos – Margaret Atwood

Wook.pt - Os Testamentos

Livro Físico

“Vejo-te como uma mulher jovem, inteligente, ambiciosa. Vais procurar criar um nicho para ti, sejam quais forem as cavernas do pensamento dominante, sombrias e cheias de eco que ainda existam no teu tempo. Situo-te à tua secretária, o cabelo preso atrás das orelhas, o verniz das unhas estalado – pois o verniz terá voltado, volta sempre. Franzes um pouco o sobrolho, um hábito que vai aumentando à medida que envelheces. Pairo atrás de ti, espreito por cima do teu ombro: a tua musa, a tua inspiração invisível, que te inspira a continuar.”

Margaret Atwood, the Prophet of Dystopia | The New Yorker
Margaret Atwood

Margaret Eleanor Atwood nasceu a 8 de Novembro de 1939 em Ottawa, no Canadá. É romancista, poetisa, contista, ensaísta e crítica literária. Já venceu o prémio Arthur C. Clarke Award (1987), o Man Booker (2000), o prémio Princesa das Astúrias (2008), o Booker Prize (2019) e o prémio PEN Pinter (2016) e as suas obras mais reconhecidas são o Chamavam-lhe Grace e o A História de Uma Serva, ambos já adaptados a séries.

A obra Os Testamentos é a continuação de A História de uma Serva. Quando li A História de uma Serva, em Abril de 2018, adorei. Depois, entretanto, tive dúvidas quanto a ter realmente gostado da história, talvez pela fama repentina que a obra teve, como por vezes acontece. De um momento para o outro, todos falavam desta obra, tornou-se moda, e eu admito que não gosto de ir na moda.

Agora li Os Testamentos e não tenho mais como negar, eu adoro esta história.

A história de Gileade é uma história distópica. Aqui, devido aos elevados níveis de poluição, a infertilidade tornou-se extremamente comum. Então uma revolução teocrática derruba o governo dos Estados Unidos, queima a constituição e cria Gileade, um país de extremismo religioso onde comanda uma elite masculina e as mulheres são relegadas ao papel de esposas, criadas ou servas.

Gileade é, na minha opinião, um mundo distópico extremamente e estranhamente possível. Muitas das injustiças que acontecem em Gileade já aconteceram ou ainda acontecem no nosso mundo real, e isso torna esta história verdadeiramente angustiante, pois dá-lhe um ar de possibilidade. Podia acontecer, podia. E o aumentar do número de militantes de extrema direita que se tem vindo a observar nos últimos tempos também o torna ainda mais preocupante.

Gileade é um mundo totalmente diferente do nosso mas ao mesmo tempo quase real. E isso é motivo de preocupação. Mas foquemo-nos na história em si.

A escrita de Margaret Atwood é uma leitura saborosa e fácil e apesar das quase 500 páginas desta obra, lê-se em menos de nada. A história desenvolve-se a um ritmo bom quase até ao final, mas a determinada altura notei uma certa aceleração. É como se as personagens tivessem de repente decidido pôr um fim a tudo. Devo admitir que também não entendi muito bem porque tinha de ser a Nicole a fazer o que teve de fazer, acho que podia ter sido qualquer outra pessoa, mas tudo bem. Foi para a história.

No geral, adorei esta leitura e se o final do A História de uma Serva deixou um pouco a desejar por ser um final um tanto ou quanto aberto, o final de Os Testamentos teve até mais informação do que a conta. Para mim o último capitulo foi interessante, mas um pouco desnecessário.

Recomendo? Recomendo, imenso. Leva umas merecidas 4* e admito que me deixou a pensar, mais uma vez, no rumo que a nossa realidade pode ou não vir a tomar. O cuidado é sempre pouco!

Recomendado!

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