As Gémeas Marotas e a Censura

No passado dia 24 de Setembro a ASAE dirigiu-se às instalações da Biblioteca dos Olivais e apreendeu o livro As Gémeas Marotas.

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O livro em questão é uma paródia sexual aos livros infantis da Coelhinha Miffy, de Dick Bruna.

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A ASAE não deu justificações acerca desta apreensão. Ainda se pensou, originalmente, que podia dever-se a uma questão de direitos de autor. Mas se formos pensar no caso, isso acaba por não fazer muito sentido. A história é outra, apenas construída de forma semelhante porque, lá está, é uma paródia da mesma. As cores são semelhantes? Sim, são. E o livro também é em verso, como o original. Claro que é, afinal, é uma paródia dele!!! Mas em momento nenhum se tentou fazer crer que era o mesmo, pelo contrário. Para que não existam duvidas, fica aqui uma definição de plágio:

“O plágio (diz-se também plagiarismo ou plagiato) é o ato de assinar ou apresentar uma obra intelectual de qualquer natureza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual, etc) contendo partes de uma obra que pertença a outra pessoa sem a permissão do autor. No acto de plágio, o plagiador apropria-se indevidamente da obra intelectual de outra pessoa, assumindo a autoria.” (wikipédia, 26/09/2019)

Entretanto soube-se que, afinal, foi mesmo uma questão de censura.

Pois parece que um certo senhor padre achou o livro das Gémeas muito indecente e demasiado parecido com livros infantis. Escreveu um artigo para o observador acerca do assunto e o mesmo acabou por chegar à editora dos livros originais que ficou “escandalizada” porque segundo eles a obra ultrapassava os limites para uma paródia. (Paródias têm limites?) Alegadamente, ficaram também muito preocupados com a possibilidade de os livros caírem nas mãos de uma criança.

Primeiro que tudo, quem tem de se preocupar com os livros que uma criança lê são os pais. E são eles que têm ou não de proibir esta ou aquela obra. Não um qualquer padre de uma qualquer igreja.

Mas o mais importante de tudo: o livro foi retirado de UMA BIBLIOTECA. Não foi de uma livraria, onde ele estivesse por acaso na zona infantil (embora nem isso devesse acontecer). Foi de uma biblioteca com depósito legal, onde o livro estava com a cotação de 82-993 ou seja literatura erótica ou seja BEM LONGE da zona infantil.

Depois: o depósito legal é previsto por lei. Ao retirarem o livro daquela biblioteca, além de um óbvio acto de censura, incorreram num crime, ao ir contra a lei.

Eu, quando vou a uma biblioteca de depósito legal como utilizadora, quero ter direito àquilo que a lei diz que eu tenho direito: consultar todo e qualquer livro já publicado em Portugal. E agora na Biblioteca dos Olivais esse direito deixou de existir, graças ao senhor padre. Quem é ele, para me dizer o que eu posso (o que nós podemos) ou não ler?

Se eu queria ler este livro em particular? Não, eu não queria. Mas quero ter – e tenho – o direito de o ler, sempre que quiser!

O dito senhor padre ainda veio, depois da apreensão, gabar-se para o facebook sobre o sucedido. À sua publicação deu o titulo de “A última marotice das gémeas”. Cá para mim deviamos era todos começar a lutar, para que esta fosse “A última censura do senhor padre”!

Eu digo não à censura! E vocês?

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